domingo, 19 de abril de 2009

Ainda Cuba

Era uma casa muito modesta, em La Habana, à qual cheguei por indicação de amigos, há cerca de dois anos. A proprietária era uma pintora, na casa dos 40, antiga funcionária de uma bomba de gasolina, que, anos antes, descobrira a sua vocação e se decidira a uma carreira nas artes. Para o meu olhar de leigo, a sua pintura denotava uma qualidade potencial que, se melhor educada, poderia ter condições para vir a evoluir bastante.

O trabalho da pintora cubana terá chamado a atenção de alguém e, com todas as devidas autorizações, quadros seus partiram para o estrangeiro, venderam-se e fizeram mesmo algum sucesso.

Com total candura, perguntei-lhe se tinha estado presente nalguma dessas exposições, fora de Cuba. A sua resposta, num tom resignado mas não ácido, como se fosse a tradução de um destino irreversível, veio com um sorriso de triste desencanto: "Não, nunca fui. E nunca irei. Sabe, eu nunca sairei daqui...".

E agora, sairá?

3 comentários:

José disse...

Pk não há comentários ?

Anónimo disse...

Sairá ela e sairão outros, assim como regressarão muitos outros, igualmente. É uma questão de tempo. E se calhar, já não falta assim tanto. As coisas estão a mudar. Quer em Cuba, quer de Washington para com Cuba.Sejamos (relativamente) optimistas. Por mim acredito que a questão cubana irá evoluir positivamente, ainda que leve o seu tempo. Aguardemos.
P.Rufino

Helena Sacadura Cabral disse...

Se Deus existe, e eu acredito que sim, ela vai sair com certeza. E voltar, espero. Como P. Rufino, eu também acredito que já esteve mais longe. Se com Obama isso se der, eu ficarei satisfeita. Foi pena que Clinton não o tivesse conseguido. Mas Hillary, parece-me, dará melhor conta do recado...
O problema está sempre naqueles que não viveram o tempo suficiente para assistir e beneficiar dessa abertura.