sábado, 1 de abril de 2017

Lampiões & Andrades


É nestes dias, em que a "guerra" não é do Sporting, que sinto alguma serenidade como espetador de futebol, embora, como é natural, o resultado do jogo me não seja indiferente.

Um dia, ao tempo em que eu era embaixador no Brasil, uma cadeia de televisão brasileira transmitiu, em direto, um Benfica-Porto ou vive-versa. Os dois excelentes comentadores, ambos brasileiros, entraram então em especulação sobre os nomes "antipáticos" que eles sabiam que eram dados aos dois clubes: aos benfiquistas "lampiões" e aos portistas "andrades". As hipóteses que aventaram sobre a origem dos nomes foram tão fantasiosas que me atrevi a escrever uma mensagem de email (que a emissora ia divulgando à medida que o jogo decorria), identificando-me como embaixador, tentando pôr "the record straight". Aproveitei, claro, para notar também que os adeptos do meu Sporting são chamados de "lagartos". Ou há moralidade...

O termo "lampiões" não oferece dúvidas sobre a sua origem: trata-se de brincar com o facto do estádio do clube se chamar "da Luz".

Já poucos sabem, contudo, a origem do termo "andrades". Vou pedir de "empréstimo" ao site Futebol Portugal uma síntese, tida por mais rigorosa, dessa história:

Nos anos 30, o F.C. Porto tinha já alguma projecção em termos nacionais e recebia frequentemente a visita de equipas estrangeiras. Os jogos com o Benfica, por exemplo, eram sinónimo de grandes receitas, mas o campo da Constituição revelava-se exíguo para a grandiosidade destes eventos.

Em 1937, em Assembleia-geral, foi feita a proposta para que o clube contraísse um empréstimo para a construção de um estádio próprio. Para o efeito, os sócios teriam de subscrever obrigações. No entanto, a procura não correu como o previsto e o sonho foi adiado. O F.C. Porto alugou então, para os jogos grandes, o campo do Ameal, um dos melhores estádios de Portugal, que recebeu mesmo alguns encontros da selecção nacional. 

Mas o Sport Progresso, arrendatário do terreno, reclamou em tribunal por alegadas falhas no pagamento. Os portistas passaram então a jogar no campo do Lima, que era utilizado pelo Académico e cujo aluguer era considerado exorbitante pelos sócios dos «azuis e bancos». Os três clubes envolveram-se então numa guerra de comunicados, que culminou numa série de acontecimentos estranhos: um incêndio destruiu parcialmente as bancadas da Constituição; e as do Ameal foram destruídas a camartelo. Houve quem atribuísse essa demolição ao senhorio, alegadamente portista e que teria pensado que assim poderia mais facilmente vender o campo do Ameal ao seu clube do coração. Houve quem nunca perdoasse ao senhor Andrade tal gesto e por isso os simpatizantes dos «azuis e brancos» começaram a ser conhecidos por «andrades»…"

4 comentários:

Anónimo disse...

Não percebi puto da história.

josé ricardo disse...

Os meus clubes: grupo desportivo de Torre de Moncorvo, Chaves e Futebol Clube do Porto. Sigo, simplesmente, uma determinada lógica e não a irracionalidade pacóvia e bem portuguesa (não se vê isto de facto em mais nenhum país da Europa, mas também fomos os únicos que tiveram uma poderosa ditadura que nos tolheu mentalmente, como se vê muito bem nestas coisas dos clubes) de pessoas não serem sócias e adeptas dos clubes da terra (muitos deles até com projeção futebolística) para serem sócias de clubes de outras cidades e regiões.
Diga-me um país onde isto se passe? Ver um estádio de um clube cheio de adeptos do outro clube.

dor em baixa disse...

De "andrades" nada sabia. "Lampiões" creio que já existiam antes de haver estádio da Luz. Sempre ouvi dizer que o termo caraterizava os vendedores de hortaliça que demandavam a Praça da Ribeira. Muito cedo, usavam lanternas, isto é, lampiões. Ou eram do Benfica ou do Atlético, já não sei como se distinguiam.

Anónimo disse...

"Diga-me um país onde isto se passe? Ver um estádio de um clube cheio de adeptos do outro clube."

Caro José Ricardo va a França ver o Marselha, é o clube com mais adeptos, a maior parte dos quais fora da "cité phocéenne".

"mas também fomos os únicos que tiveram uma poderosa ditadura que nos tolheu mentalmente"

pois, pois, isso e o correio da manhã...ou se preferir, porque as ditaduras nos outros sitios nao tolhem, nem talham as gentes...

cumprimentos