Um energúmeno, feito jogador de um clube qualquer, que aliás parece pertencer à estimável claque portista, agrediu barbaramente um árbitro no decurso de um jogo. Uma televisão "de referência" deu mesmo honras de entrevista à personagem, que, com ar manso, pretendeu "não se lembrar" dos factos.
A Federação, como é de regra nestes momentos de escândalo público, lançou o "rigoroso inquérito" da praxe. Tem, aliás, grande autoridade para isso: dos seus quadros superiores faz parte João Pinto, antigo jogador, também "de referência", que um dia deu um murro num árbitro, à vista das imagens que correram o mundo. Em lugar de o irradiar eternamente do mundo do desporto, os federativos cooptaram-no para a sua direção. Estão bem uns para os outros.
Aliás, nesse desporto sobrevive também alguém que, se houvesse um mínimo de decência, estaria, desde há muito, higienicamente afastado do menor contacto com o futebol: Sá Pinto, que agrediu publicamente o selecionador de futebol da época. Mas, qual quê! É uma figura "de referência", neste caso do meu clube.
Este mundo dos futebóis, para armar ao sério, faz de conta que tem uma "justiça". Pois. A justiça desportiva está para a Justiça como a música militar está para a Música...