O ataque americano a posições militares de Assad não é uma surpresa. O pretexto do uso de armas químicas junto da população civil tem alguma consistência, porquanto - e não vi até agora alguém lembrar isto - o regime sírio tinha-se comprometido a desfazer-se de todo esse tipo de armas, tendo ficado a Rússia como garante de que isso se concretizaria. Foi, aliás, graças a esse "deal" que a Síria foi então poupada. Washington tinha ali uma oportuna justificação. Resta apenas saber se foi, de facto, o regime de Assad o responsável pelo uso das armas químicas - embora seja plausível que sim.
No atual contexto de "acossamento" político interno, Trump jogou a cartada clássica do embate contra um adversário externo, que, pelo menos num primeiro momento, tem sempre efeitos unificadores garantidos, em especial nos EUA. O facto de isto representar, em absoluto, uma mudança de rumo na política anunciada pelo novo presidente para a área externa é um fator despiciendo neste contexto, como é óbvio.