terça-feira, 2 de agosto de 2016

Vi-te na praia, João!


Eu estava sem óculos e aquela luz forte não ajudava. Ia a aproximar-me da água e, à distância, vi-te: lá estavas tu, à beira-mar, grande, barriga como deve ser, naquele porte de bom gigante, dominador benévolo da cena, num grupo animado de pessoas. Olhei à volta, mas não vi sombra da Alzira, às tantas a tagarelar sob um guarda-sol. Fui-me chegando. Lembrei-me então de te desafiar para um arroz de lingueirão na Sílvia, na Carrasqueira, mas logo pensei que tu, cozinheiro emérito e generoso, me ias dizer que tinhas lá em casa, da tua lavra, umas ameijoas "de truz". Tive a ideia de comentar contigo as primeiras férias da "geringonça", o acampamento LGBTIQ+ do pessoal do Bloco, as sanções que afinal "já eram", para raiva surda de alguns canalhas, as últimas do Marcelo (nunca são "as últimas", porque ele entretanto faz outras). Ia perguntar-te se já te tinhas cruzado por ali com o Eanes, que não deve andar longe na areia e saber se, também tu, já lhe tinhas perdoado aquelas coisas de novembro desse ano da imensa graça de 75. Estava quase a chegar ao pé de ti (à "tua beira", como dizemos mais carinhosamente no norte), quando uma bola de praia, chutada por um Eder "de trazer por casa", me atingiu no ombro. E, pronto!, caí em mim. Não eras tu, João! Verdade seja que tínhamos estado, numa noite não há muito tempo, naquela capela junto ao palácio Fronteira, a despedir-nos de ti: a Élia, o Zé Manuel Costa Neves, o João Soares, o Vasco Lourenço e "tutti quanti" da tua (da nossa) "tropa". Mas o calor traz-nos miragens, neste caso, das boas. E, pelos vistos, também saudades. Como hoje, de ti.

2 comentários:

Azinheira disse...

Gostei muito e ainda não recuperei totalmente da emoção, mas atendendo a que aqui me represento e à Élia também, nestes dias nem sempre felizes para ela, junto-me com modéstia à recordação desses dias e desses amigos, com um abraço. Clementina G.

Anónimo disse...

BOAS FÉRIAS e grande abraço para vocês
Ção Jordão