segunda-feira, 15 de agosto de 2016

O mês de 40 dias

Na minha cabeça, tenho o ano dividido em dois períodos, muito desiguais em dimensão: de setembro a dezembro e de janeiro a julho. Estes são os meus dois "semestres". Agosto é a pausa.

Para mim, o ano começa, verdadeiramente, em setembro. É um mês diferente de todos os outros, com menos "eventos" mas não com menos compromissos, bem pelo contrário. Arrumo (ou penso arrumar) nele muitas coisas, no caminho para os onze que se seguem. Depois, outubro e novembro são meses cheíssimos. Só lá para 20 de dezembro é que tudo estaca. A pausa natalícia prolonga-se até à primeira semana de janeiro, quando tudo rearranca, de novo bem a sério. Fora o período da Páscoa, todo esse segundo "semestre" é muito intenso, apenas com as festividades em junho a atenuar o ritmo, mas com as aulas a reforçá-lo. Como já estou muito longe do tropismo obsessivo para o turismo, fico a ver os meus amigos, entre maio e junho, a avançar para "as viagens".

A maior diferença que senti entre os anos de vida em que estava numa atividade profissional oficial, "from nine to five", e a atípica "aposentação" que se aproxima dos quatro anos, são os meses e julho e dezembro. No passado, esses eram meses de transição para tempos de férias, já de um relativo "phasing-out" laboral. Hoje, não: verifiquei que a atividade privada acelera fortemente na última quinzena de julho e na primeira de dezembro. Foi uma descoberta interessante.

Quando vivi na Noruega, ouvia dizer que o dia de hoje, o 15 de agosto, era "o início do inverno". Também convém não exagerar! Mas há pouco, ao acordar, confesso que senti, como dizia o poeta", que já "cheira a setembro". Aliás, confesso, ando a preparar esse mês há largas semanas. São muitos os amigos com quem já troquei o clássico "então, combinado!, almoçamos lá para setembro!". Se acaso todos esses almoços de "rentrée" viessem a ter efetivamente lugar, setembro seria um mês de 40 dias. Úteis, claro.

3 comentários:

Anónimo disse...

Recordo um filme de Gianni Di Gregori "Pranzo di Ferragosto" (2008)que vi no Festival de cinema de Londres e ganhou o premio da Fundacao Satyajit Ray. Viu na altura ou mais tarde? E uma comedia cheia de humanidade. Tudo se passa em Italia, durante o feriadp de 15 de Agosto. E um filme "low budget", de grande qualidade muito sentido de humor, humanidade, bem dento do espitito de S. Ray (triologia de Apu entre outros). Nesta canicula infernal gostaria de rever. Vou dar uma vista de olhos aos DVDs porque nem me lembro se cheguei a compar. Mas o ideal era mergulhar numa sala de cinema, como deve ser a comer um gelado de melancia (o meu sabor favorito nesta altura!!!)

Bom feriado

F. Crabtree

Anónimo disse...

Para Marques Mendes mesmo em Agosto o ano já começou pois já começou metodicamente a tiraro tapete a Passos Coelho e obviamente tem saudades do futuro.

Fernando Martins disse...

"Primeiro de Agosto, primeiro de Inverno"!