sábado, 13 de agosto de 2016

Não acredito!

Alguns dirão que esta é uma atitude gratuita, não fundamentada, porventura preconceituosa. Outros considerarão que releva de falta de respeito político pelo governo, mesmo de incompreensível ausência de solidariedade para com gente que é minha amiga. 

Será o que quiserem e adoraria estar enganado, mas não consigo acreditar que o grupo de trabalho criado para tratar da questão da prevenção e combate aos fogos florestais, cujas conclusões irão a conselho de ministros no Outono, vá resultar em algo substancialmente relevante, que possa ter um impacto significativo no estado de coisas que se vive em Portugal. É uma descrença de quem já viu este "filme" anos e anos consecutivos, que assistiu a inúmeros "agora é que é!" que acabaram por dar no que agora aí se vê.

Pelo que se observa pelo mundo, uma constatação impõe-se: sempre que houver um "cocktail" de condições adversas, com temperaturas altas e baixa humidade, a floresta vai arder de novo. Em Portugal como em Espanha, nos Estados Unidos como na Austrália. Pode é arder mais ou menos, dependendo das condições criadas para o evitar.

A minha teimosa falta de crença nas soluções que aí vêm liga-se ao que entendo ser a inevitável continuação de dois fatores negativos, que Portugal não vai conseguir superar: a sua estrutura fundiária, com gente cada vez mais ausente das zonas rurais ou que é proprietária de terrenos que não produzem o rendimento suficiente para sustentar a sua limpeza, e a falta dos recursos financeiros ao Estado para vir a suprir essa lacuna dos proprietários privados, que hoje são detentores de mais de 90% da área florestal do país. Porque nenhum destes fatores pode mudar por obra e graça do "novo banco", tudo vai continuar na mesma. 

O resto, os meios de deteção e prevenção, os de combate aos incêndios e a otimização da sua organização, a repressão dos incendiários e a melhoria da legislação para os punir, bem como o sempiterno "número" salvífico do uso dos militares, isso é outra parte da história. Uma história que eu receio acabe da mesma maneira que tem acabado ao longo de vários governos, isto é, em "águas de bacalhau".

Que fique claro: não tenho soluções miraculosas, não sou especialista no assunto, nem sei mais do que um qualquer outro cidadão. Mas tenho o meu inalienável direito à "fezada", neste caso à falta dela, e exerço-o aqui.

7 comentários:

Anónimo disse...

a bola é uma coisas para fezadas

a saùde do paìs... ja não acho tanto piada


cmptos

Portugalredecouvertes disse...


Podemos sempre rezar para que o Sr. Embaixador esteja errado

Portugalredecouvertes disse...


E a Madeira também será por meio desertificada ?

Anónimo disse...

Se desta vez ouvirem a CDU que tem propostas por ouvir há 40 anos, pode ser que a coisa pegue. Se os tivessem ouvido em maastricth, Amesterdão, Nice, no pec,no euro, nao estavamos como estamos agora. Assim ponham Pedro Nuno Santos e Joao Galamba nesses negociações.

Anónimo disse...

falta aí o ordenamento florestal! não é possível continuar a ter as plantações de eucaliptos como há, por exemplo, no interior do distrito de aveiro: eucaliptais super densos, sem corta fogos, num contínuo de dezenas de quilómetros não poupando nem as zonas húmidas (obrigado cristas e daniel campelo, que não serão ouvidos pelas televisões sobre o tema), com os eucapliptos a chegarem mesmo a tocar os rios, cada vez com menos água. o que se perdeu agora foi isto, de águeda a arouca, passando por sever do vouga e vale de cambra. daqui a dois anos estará tudo na mesma, porque já tinha ardido antes várias vezes e irá continuar a arder.
depois há os incêndios que começam de madrugada e os foguetes que continuam a animar as festas (não tinham sido proibidos há uns anos?). o resto, o vento leste e o bafo de calor associado (que este ano durou mais de um mês) dá conta do recado e não há nada a fazer senão proteger as habitações.

ignatz disse...

o melhor era não fazer nada e deixar arder tudo, assim só voltaria a arder daqui 10 anos. cumpriam-se as leis da natureza e as fezadas liberalóides para não torrar a massa que tanta falta faz para recapitalizar as empresas e os bancos que tem sido modelos de gestão e excelência neste jardim murcho à beira mar prantado.

Anónimo disse...

Quando não se quer resolver um assunto organiza-se um grupo de trabalho!