segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Rigor

Há-de haver alguma diferença entre a "Voz de Sanguinhedo" e o "Diário de Notícias"!

No primeiro periódico, se acaso existisse, era desculpável que algum plumitivo amador atribuísse a Jorge Sampaio a expressão que ele nunca proferiu: "há mais vida para além do défice".

Mas a uma senhora jornalista profissional, com uma coluna de opinião com foto sorridente numa página ímpar do "Diário de Notícias" (recordo que, nos jornais, as ímpares, salvo a última, são mais importantes do que as pares), não é admisível essa referência (mesmo que atenuada com o "atribuída a") que, além de rotundamente falsa, tem de injurioso tudo quanto alguns têm com ela procurado fazer ao longo de anos. Injúria que este novo artigo prolonga e assim aduba, por muito que possa não ter sido essa a intenção. É que, no jornalismo, ao contrário do que dizia o manholas de Santa Comba para a política, o que é parece.

Se a "silly season" na redação do quotidiano da Moagem não der tempo para ir ao Google, pode sempre ler aqui (e não tem nada que agradecer)

4 comentários:

Helena Sacadura Cabral disse...

Ó Francisco "o manholas de Santa Comba Comba" compete com a caranguejola e a geringonça...

Anónimo disse...

"Esperamos que o que é preciso e o que é difícil seja menos que aquilo que podemos fazer porque podemos fazer mais que aquilo que é difícil..."

Quando se põe a falar do "manholas de Santa Comba" arrisca a substanciar o que diz conforme o discurso anterior, tal como o fez agora!

Anónimo disse...

Senhor Embaixador

As falsas atribuições são hoje um mal generalizado.

Mas, já em 1897 Remy de Gourmont escrevia no «Mercure de France» (páginas 547 e 548 do Tome XXIV, Octobre - Décembre): «Contrairement à la consolante croyance, la vérité ne se fait jamais jour; une erreur entrée dans le domaine public n’en sort jamais; les opinions se transmettent, héréditairement, comme des terrains: on y bâtit; cela finit par faire une ville; cela finit par faire l’histoire. Les réhabilitations sont aussi inutiles que les diffamations posthumes».

José Neto

Manuel do Edmundo-Filho disse...

Caro Embaixador, não vejo razão tanto abespinhamento em relação ao DN. O que Jorge Sampaio disse foi: "há mais vida para além do orçamento". Embora literalmente sejam coisas diferentes, pode-se dizer que o espírito com que foi dito é o mesmo com que é dita a frase que lhe é atribuída. Ao falar-se de orçamento, no caso português, estamos sempre a falar de défice... e nunca de superávite... Aliás, se Sampaio não estava a relativizar (para os detractores a desvalorizar) a importância do défice, não faz sentido a frase que ele efectivamente pronunciou.