segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Bilhete de Paris

Há dias, passou aqui por Paris a jornalista Maria João Avillez. Falámos bastante sobre a Europa, em especial sobre o que resultou do último Conselho Europeu. 

No seu "Dia sim, dia não", na revista "Sábado" (10.2.11), que só ontem pude ler, sou citado a dizer:

"Daqui de Paris, sinto existir, um pouco por toda a Europa, a consciência de que chegámos a um processo de inevitável reajustamento dos equilíbrios de poder, que está já muito para além daquilo que pode ser gerido no quadro do Tratado de Lisboa. Goste-se ou não, as estruturas comunitárias foram ultrapassadas pela força do poder que determina a gestão do euro. A Europa percebe agora, com toda a crueza, que, no fundo, “aderiu ao marco”, pelo que tem de adotar, não apenas os critérios do “pacto de estabilidade e crescimento” que Theo Weigel impôs em 1997, mas outros que Berlim agora acha imperativos, à luz da recente experiência, para controlar possíveis derivas na zona euro, para cuja colmatação é pedido um esforço financeiro particular à Alemanha."

E, sobre a nossa posição nacional, disse:

"Neste contexto de exigência, Portugal assume, sem pejo, a sua fragilidade conjuntural mas, igualmente, mostra uma determinação rara para tomar todas medidas necessárias para lhe fazer face. Sem surpresa, alguns países europeus mostram bem maiores dificuldades do que nós para incorporarem o novo “pacto para a competitividade”. Não o lemos como um “diktat” de Berlim, mas como o último e razoável comboio para salvar a família do euro. Também por isso, parece-nos prematura a imputação de que, de uma Alemanha europeia, está a nascer uma simples Europa alemã."

É, de facto, o que eu penso. Outra coisa é saber se terei, ou não, razão.

8 comentários:

Helena Oneto disse...

Arevezada, qb, a sua analise frontalmente diplomatica (ou diplomaticamente frontal?) é justissima! Mais uma lição de como deve ser "lida" a Europa em que vivemos. A Alemanha zanga-se e os outros estremecem... não é ditkat? mas parece! porque estamos em tempo de crise? E depois? quando voltarem as vacas gordas quem vai poder comer um bom bife (ou uma rica posta de bacalhau)? todos ou so eles?

Rui Mello disse...

Vale a pena ouvir!!!

http://www.sabado.pt/Opiniao/Maria-Joao-Avillez/Eu,-se-querem-saber,-invejo-os!.aspx

Anónimo disse...

É, de facto, o que eu penso.

Outra coisa é saber se terei, ou não, razão.In FSC

expressão no mínimo pantanosa ávida de futurismo, mas também para quê saber?... Que teimosia.

Isabel Seixas

patricio branco disse...

A questão do euro e dos mecanismos da zona euro a que estão submetidos os paises que a ele pertencem, é de facto um quebra cabeças, que domina grande parte dos esforços de gestão.
É um pau de 2 bicos, tanto para os paises fortes como a alemanha, como para os debeis como portugal.
Os uteis mecanismos que eram antes aplicados pelos diversos bancos centrais, nomeadamente desvalorizações, taxas de juro, deixaram de ser possiveis.
Mas o euro é uma boa invenção, apesar de tudo é uma rede de segurança para os trapezistas de 2a ou 3a que estão sempre a cair e voltarmos ao escudo penso que seria desastroso, lá se iria o nosso resto e a queda seria até à arena.

nat disse...

Diktat....pois os alemães também tinham a mesma opinião quando foram apertados

quem é que gosta de pagar as dívidas dos outros

se os franceses foram para a guerra foi porque quiseram paguem eles as dívidas

no nosso caso é o anti-diktat
se nos endividámos foi por culpa dos alemães

os ricos que paguem a crise

onde é queu já oubi iste?

nat disse...

Din kommentar er blevet gemt og vil blive synlig efter Diktat-ejerens god kendelse.
Opfølgende Diktat Von...Portu Cale

Anónimo disse...

Senhor Embaixador,

Perdoe-me a ousadia, mas "Quem fala assim não é gago"!

É a única expressão que me ocorre, talvez por influência de assistir ao "Discurso do Rei" (excelente!) no passado fim-de-semana :)

Isabel BP

Anónimo disse...

Conjuntural nao.Estrutural sim.No caso portugues.So agora e que Vexa se da conta de que Portugal aderiu ao marco? Os ingleses e alguns outros paises bem pensantes. ponderaram a distancia e ficaram a margem da aventura- "euristica".Enfim, e o preco que Portugal esta a pagar pela
inconsciencia!