quarta-feira, novembro 26, 2025

"Países estrangeiros"


O país habituou-se, desde há muito, a admirar o excelente poeta que é Luís Filipe Castro Mendes. Prestigiado e premiado, o poeta assegurou um justo reconhecimento nacional. Contudo, a sua escrita em prosa, se bem que já antes publicada, era menos conhecida. Com o surgimento como colunista regular no "Diário de Notícias", muitos acordaram para o excelente prosador que ele também é. Dessas crónicas, saiu já há tempos uma recolha. Agora, pela mão da Guerra & Paz, foi lançado um conjunto de textos memorialísticos de extrema qualidade, creio que todos ou quase todos inéditos. São apontamentos, muitas vezes datados, de episódios ocorridos em tempos evocados pelo autor, bem como reflexões suscitadas por ocasiões que atravessou. Diplomata desde há meio século, hoje jubilado da carreira mas vivendo com júbilo o sereno conforto da família e das amizades, Luís Castro Mendes nunca deixou de ser um político "engajado" (detesto a palavra, mas dá-me jeito), menos no rotineiro alinhamento partidário, bastante mais nas ideias e valores que decantou de uma vida bem vivida, com forte pegada cívica. Isso ressalta deste "Países estrangeiros - memórias e viagens", que quiçá recuperará o clássico dito de L. P. Hartley (de quem nunca li mais do que a frase, confesso), segundo o qual “o passado é um país estrangeiro: lá faziam-se as coisas de forma diferente”. O livro do Luís - que ainda não são as memórias que estão em débito - foi uma prenda antecipada de Natal para os amigos. Faça como ele: ofereça este livro aos seus próximos, no tempo que aí vem. E compre outro para si, claro. Afinal, como o outro diz, a generosidade começa em casa...

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