Seguidores

Se quiser ser informado sobre os novos textos publicados no blogue, coloque o seu email

sexta-feira, julho 14, 2017

Perpexidade

Não gostei de ouvir o primeiro-ministro dizer o que disse na quarta-feira na Assembleia da República sobre a Altice/PT/MEO.

Não gostei, desde logo, porque não acho correto que, daquela tribuna, se singularizem empresas, da forma como isso foi feito, com todo o efeito potencial que tal pode ter na atitude dos mercados. Achei isso bastante imprudente da parte de António Costa. (A quem estranhar que eu escreva isto, lembraria que nunca condiciono a liberdade da minha opinião às simpatias políticas).

O que se passou, contudo, só confirma algo que já se ia sabendo: que a Altice se está a comportar em Portugal de uma forma altamente agressiva, numa estratégia empresarial que está a colocar em causa muitos postos de trabalho. Esta atitude hostil da empresa só nos pode suscitar grande perplexidade. 

Essa perplexidade aumenta muito ao saber-se que a Altice está prestes a adquirir a Mediacapital, proprietária da TVI e da Rádio Comercial. Acho muito estranho, confesso, que a expansão de um grupo, em tão larga e significativa escala, seja feita sem um diálogo, prévio e sereno, com os poderes públicos. 

Portugal é uma economia de mercado, aberta, com regras cujo cumprimento compete à regulação fiscalizar. Depois disso, há os tribunais. Será assim? É, mas nós sabemos que o bom senso exigiria que entre a empresa e o Estado as coisas se estivessem a processar de outra forma. E essa é a razão da minha grande perplexidade.

Entrevista ao "Público" e à Rádio Renascença

  Ver aqui:  https://vimeo.com/1159303777