quinta-feira, 20 de julho de 2017

Asta Rose



No passado fim de semana, ao folhear em casa de amigos uma deliciosa coleção da "Vida Mundial", descortinei esta fotografia, de 1942 (no fim do post, coloco outra, bem mais recente). Lá está Tomaz Alcaide, o grande cantor lírico português, e, a seu lado, uma senhora, com um "look" e uma elegância bem desses anos. Era Asta Rose.

Conheci Asta Rose em Brasília, em 2005. Era uma senhora idosa, muito popular nos meios culturais da sociedade brasiliense, sempre uma presença ativa a impulsionar iniciativas, em especial na área da música. Portugal estava-lhe no coração, cultivando por essa via a memória do marido com quem foi casada 25 anos, 20 dos quais vivendo em Portugal, país a que se sentia afetivamente ligada.

Nascida em Santa Catarina, Asta Rose havia sido bailarina e era uma melómana de primeira água. A Brasília cultural, em especial a ópera e a música erudita, deve-lhe imenso. A sua figura de extrema elegância, com uma inconfundível cabeleira e sempre de lenço à banda no pescoço, era um ícone da cidade, de que era cidadã honorária.

Lembro-me bem da última frase que nos disse, no dia da nossa despedida: "Voltem em breve, senão já não me encontram por cá". Não levámos a sério, não voltámos e, quando o fizermos, já não a encontraremos por lá. 

Soube agora que Asta Rose morreu em Brasília, há meses, com 94 anos. Não sei se por sua indicação, as suas cinzas foram juntas ao túmulo de Tomaz Alcaide. Asta Rose acabou em Portugal, ao lado de quem gostava.



3 comentários:

Luís Lavoura disse...

Li na wikipedia sobre Tomás Alcaide e concluí que Asta Rose deveria ser mais de 20 anos mais nova do que ele. Ter-se-ão talvez casado em 1942, quando ele tinha 41 anos e ela 19.

Anónimo disse...

E Tommaso Alcaide, ĺcomo era conhecido lá fora, morreu há exactamente 50 anos.

JPGarcia

Unknown disse...

Francisco, caríssimo,
Voltámos a nos encontrar ontem, de novo, ao meu serão : lendo-o sub species 'blog'.
E com emoção, pois conheci um pouco a Asta Rose Alcaide e tb o grande Tomás.
Durante vários anos como Secretário-Geral da Juventude Musical Portuguesa, presidida pelo queridíssimo João de Freitas Branco, trabalhava AR nos Serviços Culturais da Embaixada dos EUA (Avª Duque de Loulé) e acompanhava de perto a vida musical lisboeta. Não menos, com discrição, total gentileza e rigoroso senso, atendia e encaminhava projectos dependentes de colaboração americana: artistas que vinham, conferencistas, bibliografia, estágios...
Ainda nos correspondemos quando já no Brasil, ainda ligada aos Serviços Culturais Americanos. Lembro com carinho as sua iniciativas pessoais para o melhor conhecimento da figura pessoal e artística de Tomás : concurso de canto, recitais e outras homenagens -- sempre com nobre e cativante independência, elegância e acerto.
Ler, de TA "Um Cantor no Palco e na Vida" (Publs. Europa-América,1961) e ouvir dois admiráveis discos: TA-Árias de ópera, In Memoriam (PortugalSom) que AR apresenta e TA-Anos 30 (EMI-Val. de Carvalho).Perdão por ser tão 'bavard'-- AR merecia melhor...
afectuoso abraço,
LSFerro