O mundo entretem-se, por estes dias, a listar as reversões com que
Trump confirma a natureza errática da sua política externa, agora entregue, ao
que tudo indica, aos militares e àqueles que fabricam aquilo com que estes
exercem a sua atividade. Há, porém uma “promessa” que Trump parece determinado
a cumprir, em absoluto: pôr de lado qualquer consideração pelas instituições
multilaterais, como a ONU, e assumir em pleno que a força é o fator da sua
legitimidade, como decorre da arrogância jingoísta com que brinca com o fogo da
segurança de todos nós.
Assim, em contagem decrescente para a próxima bomba do império de
Mar-a-Lago, dedicamo-nos também a olhar o açambarcamento
do poder por Erdogan, que desenha na Turquia, dia após dia, uma evidente
“democratura” (ditadura travestida de ditadura), à qual ninguém parece saber
como reagir.
Finalmente, as eleições francesa de domingo, mesmo que não
conduzam Le Pen ao Eliseu, trazem-nos a trágica perspetiva da extrema-direita
poder vir a condicionar fortemente o
futuro de um país sem o qual - diga-se isto com grande clareza - a Europa
comunitária deixará de existir como a conhecemos, a curto prazo.
Distraído com
estes cenários, o mundo parece estar a esquecer, contudo, a gravidade daquilo
que se passa no Brasil.
Ora os últimos
dias, nesse lado do Atlântico, trouxeram por ali ao de cima - como nomes,
números e datas - aquilo que era um verdadeiro "segredo de Polichinelo":
que, desde há décadas, a vida partidária e muitas das grandes figuras do Estado
brasileiro eram financiadas ilegalmente pelas grandes empresas. A denúncia
titulada pelos principais responsáveis da Odebrecht, a maior construtura do
país, abrange quase toda a classe política - de presidentes da República a
autarcas, passando por ministros, governadores e deputados. Estamos perante um
escândalo de consequências por ora inimagináveis para o futuro do sistema
político do país. A menos que o processo venha a ser travado através daquilo
que no Brasil se designa sugestivamente por um "acordão", não fica
muito claro como é que vai ser possível desatar este nó cego. Alguns pensam mesmo
que, perante o descrédito acrescido que estas novas revelações trazem para a classe
política, o ambiente começa a estar propício para a emergência de alguém,
surgido de fora do sistema, que possa visar a eleição presidencial de 2018, tal
como aconteceu no caso de Trump. Como amigo do Brasil (e da sua democracia)
preocupa-me que algumas pessoas sensatas que por lá conheço se sintam cada vez
mais tentadas a colocar também nos trilhos do futuro poder político algumas figuras
militares, tidas como parte da solução. As tragédias podem ter várias roupagens,
mas as tragédias fardadas costumam ser mais dolorosas.

Brazil e lavajato., e JUSTICA e como comparar a prostituicao a casamento de curto Prazo
ResponderEliminarDoar dinheiro para campanhas eleitorais e garantir o DIREITO DE EXPRESSAO. Donativos voluntarios de individuos ou empresarios deve ser legal e transparente. TRANSPARENCIA e o sol que dezinfecta.
Boas viagems pela Colombia, SR.Embeixador.
Como amigo do Brasil o sr. dr. deveria, isso sim, escandalizar-se com a imoralidade dos políticos brasileiros.
ResponderEliminarEsqueceu-se da Venezuela?
@Anónimo 22 de abril de 2017 às 13:45
ResponderEliminarQuer colocar o Brasil ao nivel da Venezuela ???
Fez-me lembrar os miudos quando chegam a casa com uma nota negativa e para tentar minimizar o feito põe-se ao mesmo nivel dos outros que tiveram notas ainda piores, dizendo que nao tiveram das piores.
Gostei do Brasil com o ditador militar Ernesto Geisel que me recebeu de braços abertos quando me pisguei da bandalheira do 25 de Abril/74.
ResponderEliminarVi a desgraça brasileira, quando Geisel deu ordem ao seu sucessor para acabar com a ditadura.
Aí, pisguei-me em 1980 com milhões de brasileiros atraz de mim, para a "europa".
Há terras que não vão lá à maneira desta europa "que gagueja", ou seja "democrática"
Qual será o fundo($) que sustenta o JN e o DN ?
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