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domingo, maio 11, 2014

Embaixadas

Há pouco, numa entrevista de rádio, Francisco José Viegas referia que "certos futebolistas brasileiros gostam de fazer embaixada". Pus-me a pensar se a esmagadora maioria dos ouvintes portugueses terá percebido o que isso significava.

No Brasil, o conceito de "embaixada" vai muito para além do de representação diplomática. Segundo o "Aurelião" (versão maior do fantástico dicionário de Aurélio Buarque de Hollanda Ferreira), "embaixada" tem também o significado de "malabarismo ou demonstração de habilidade em que o jogador mantém o controle da bola, sem deixar que ela toque o chão". A "embaixada" (ou "embaixadinha", como é mais vulgar ouvir-se), deriva de se manter a bola "em baixo", sempre junto à perna e ao pé. É admitida e apreciada em treinos ou demonstrações mas, curiosamente, durante os jogos, um exagero na utilização dessa qualidade artística, de uma forma que possa ser vista como humilhante para o adversário direto, é considerada ofensiva e dá origem a fortes protestos da equipa adversária. Já assisti a cenas de violência por virtude de "embaixadinhas", ou seja, pelo facto do autor da proeza estar a ser visto como estando "a gozar o parceiro", como nós diríamos.

A língua portuguesa é muito rica nestas variantes vocabulares. A quem pretender ir um pouco mais longe na riqueza do léxico futebolístico usado do outro lado do Atlântico aconselho a dar uma vista de olhos aqui.

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