Os resultados? Surpreendido? Só um pouco.
Surpreendeu-me a catástrofe AP com 28% (que significaria 21-22% (!!!) para o PSD e 7% ou menos para o CDS), quando aguardava um resultado sobre os 30-31%. Curiosamente, pelo "body language", acho que, para os próprios, não foi nenhuma surpresa e, como "compensação", se alegraram-se com o resultado obtido pelo PS.
Não me surpreendeu a vitória do PS, mas sim a escassez do resultado, que estimava poder rondar os 35-36%. Apesar disso, ter cerca de 4% a mais que toda a direita reunida está longe de poder ser considerado um mau resultado.
Espanto, isso sim!, com a força de Marinho Pinto, que nunca pensei que chegasse sequer aos 4%.
Quanto ao resto, nada de novo: o PCP confirmou a subida, o BE ficou onde era esperado e o Livre também. Ah! e aguardava mais abstenção.
Voltando ao "fenómeno" Marinho Pinto. Um discurso justicialista, de denúncia, nas margens do "anti-sistema", compensou. Até o relativo "primarismo" da mensagem, numa espécie de registo "Zé Povinho", que as pessoas entendem com facilidade, ajudou. Mas, atenção!, não é (até agora) um discurso populista, anti-partidos. Foi ainda prejudicado por não ter havido debates televisivos. Se souber gerir a sua imagem com inteligência, o que não está garantido pelo seu caráter de "looner" impulsivo, pode tornar-se num caso sério na política portuguesa. Veremos também se o MPT, ao longo dos próximos meses, consegue conviver com a proeminência obsessiva da sua figura e se o caráter meramente instrumental desta eleição (as suas ambições são claramente outras) não atrapalhará uma afirmação futura. Ganhou de quem? Do PS, claro, de quem passa a ser um temível adversário e de algumas franjas desiludidas de apoiantes da maioria, que para ele canalizaram o seu descontentamento. Aproveito para deixar ao Marinho Pinto, velho companheiro de debates de café, no final dos anos 60, lá por Vila Real, um abraço de felicitações.