Pedro Abrunhosa é, como pessoa, uma figura que me merece simpatia. De há muito, sinto-me próximo de algumas das suas atitudes cívicas e parece-me ser um homem inteligente.
"Having said that", como dizem os anglosaxónicos quando querem fazer um contraponto, desde sempre achei que Abrunhosa anda, por assim dizer, "a gozar" um pouco conosco. Ainda que a sua linha melódica seja agradável, a sua voz é fraca e, com escassíssimas exceções, as suas letras são muito limitadas. Há pouco, na televisão, numa gala, ouvi com atenção uma canção que criou a propósito dos novos emigrantes, um choradinho algo demagógico com um sentido um pouco oportunista. Nele, "casa" rima com "asa" e com "brasa", "bala" com "mala", "Paris" com "raiz" e tem coisas com a densidade lírica de "voam pombas no beiral".
Volto a dizer: Abrunhosa é um homem inteligente e o seu sucesso é a prova de que consegue levar água ao seu moinho.
