Ontem, em Tours, onde fui ao lançamento de um "Portuguese Business Club" e encontrar um ativo setor da nossa comunidade, comentei com o "maire" da cidade, Jean Germain, um bom amigo de Portugal e dos portugueses, a beleza da sala da "Mairie" onde estávamos.
Para minha imensa surpresa, disse-me ser aquele exatamente o local onde Léon Blum havia proferido o seu famoso "discurso de Tours", em 27 de Dezembro de 1920.
Num instante, confrontei-me com a memória daquele que é talvez o grande "separar de águas" entre socialistas e comunistas. O "discurso de Tours" é considerado uma das peças políticas mais relevantes do século XX, porque foi através dele que o chefe socialista marcou o seu afastamento face às ideias de Lenine e a sua rejeição em aderir à III Internacional (Internacional Comunista), o que conduziu à melhor definição de uma linha democrática dentro do socialismo francês, que acabou por ter consequências muito importantes em todo o mundo. Com o "discurso de Tours", Blum ajudou a abrir um caminho autónomo, em termos de prática política com efeitos na governação, a uma corrente de pensamento que viria a ser determinante a partir de então e que, em França, daria aos socialistas a autoridade para poderem lançar, com os comunistas, o "Front Populaire" e, muitos anos mais tarde, o "Programme Commun".
Quem vive em França corre o sério "risco" de encontrar a História pelas esquinas do quotidiano.
