sábado, fevereiro 20, 2010

Diplomatas

A revista "Sábado" traz esta semana uma nota sobre os concursos de admissão à carreira diplomática, na qual um colega meu, co-responsável por esses exames, dá conta de confrangedoras lacunas de cultura geral de muitos dos candidatos.

O panorama é sempre o mesmo. Grande parte dos licenciados que se apresentam a concurso, para além de revelarem um muito fraco domínio da língua portuguesa, demonstram uma ignorância patética em áreas culturais básicas, muitas vezes somada a um estranho desinteresse pelas questões de política internacional da atualidade. Valha-nos o facto de que, lado a lado com este tipo de candidatos, aparecem sempre outros de grande qualidade.

Fiz já parte do júri desses concursos, há mais de 15 anos, e recordo-me da nossa surpresa ao depararmo-nos com casos similares. Tenho imensas histórias que só não acho divertidas porque são uma trágica ilustração da pauperização em que caiu o ensino e a formação cultural da nossa juventude. Recordo apenas uma. 

Um dia, na chamada "prova de apresentação", durante a qual o candidato conversava com três examinadores sobre vários temas, perguntei a um deles qual o último livro que tinha lido. Sem qualquer rebuço, disse-nos: "Para falar verdade, nunca li nenhum livro completo. Na faculdade, só líamos páginas ou capítulos de livros, em fotocópia". Assim, não vamos lá...  

No MNE

Na passada semana, regressei por umas horas à minha casa profissional de origem, o Ministério dos Negócios Estrangeiros.  Estive lá na minha...