A revista "Sábado" traz esta semana uma nota sobre os concursos de admissão à carreira diplomática, na qual um colega meu, co-responsável por esses exames, dá conta de confrangedoras lacunas de cultura geral de muitos dos candidatos.
O panorama é sempre o mesmo. Grande parte dos licenciados que se apresentam a concurso, para além de revelarem um muito fraco domínio da língua portuguesa, demonstram uma ignorância patética em áreas culturais básicas, muitas vezes somada a um estranho desinteresse pelas questões de política internacional da atualidade. Valha-nos o facto de que, lado a lado com este tipo de candidatos, aparecem sempre outros de grande qualidade.
Fiz já parte do júri desses concursos, há mais de 15 anos, e recordo-me da nossa surpresa ao depararmo-nos com casos similares. Tenho imensas histórias que só não acho divertidas porque são uma trágica ilustração da pauperização em que caiu o ensino e a formação cultural da nossa juventude. Recordo apenas uma.
Um dia, na chamada "prova de apresentação", durante a qual o candidato conversava com três examinadores sobre vários temas, perguntei a um deles qual o último livro que tinha lido. Sem qualquer rebuço, disse-nos: "Para falar verdade, nunca li nenhum livro completo. Na faculdade, só líamos páginas ou capítulos de livros, em fotocópia". Assim, não vamos lá...
