Conversando ontem em Lisboa com um amigo, como eu funcionário no MNE desde há bem mais de três décadas, trocámos experiências comuns relativamente àquilo que podemos designar como alguma tentação diplomática para o imobilismo.
Com efeito, parece subsistir ainda, em certos setores, uma escola de pensamento, ancorada em sólida prática, que favorece, como reação imediata perante a pressentida necessidade de se atuar em face de algo que afeta interesses nacionais, um "é melhor não fazer nada" ou "não vale a pena reagir". O argumento sistemático é o de que é contraproducente promover iniciativas, porque elas poderão conduzir a efeitos mais gravosos do que as consequências já produzidas pelos factos e que, por isso, "é preferível estar quieto". Tenho anos de experiência de ouvir isto, com a tibieza travestida de sábia prudência.
Não sou adepto das decisões precipitadas, de se saltar para o terreiro à primeira provocação. Também não excluo, em absoluto, que, num caso ou noutro, esse tipo de atitude - ou não-atitude - possa ter razão de ser. Mas o que tenho observado é que, muitas mais vezes, tal não é senão uma escusa comodista para não ter de arriscar, para "fugir entre as pingas", para tentar que o tempo acabe por anular a necessidade de uma tomada de posição. E o que me preocupa é que, em alguns casos, esse tropismo seja já intergeracional.
Por estas e por outras é que alguns acabam por dar razão ao dito injusto segundo o qual "um diplomata é alguém que pensa sempre duas vezes antes de não fazer nada".
