Numa tarde de Maio de 1991, rumei ao mítico estádio de Wembley, hoje desaparecido, para ver uma final da Taça de Inglaterra, entre o Tottenham e o Nottingham Forest. Quem não gosta de futebol deve ter dificuldade em compreender a emoção que representava assistir a uma "cup final" em Wembley, que a rotina da imprensa desportiva sempre qualificava como a "catedral" londrina do futebol mundial.
O Tottenham - os "spurs", como se diz no jargão - acabaram por ganhar o jogo, mas a minha curiosidade em ver atuar aquela que era uma das maiores estrelas do futebol britânico da época ficou frustrada, logo no início da partida: Paul Gascoigne, "Gazza", lesionou-se gravemente nos primeiros minutos de jogo (na imagem, de branco, Gascoigne comete a falta em que se lesionou).
Ao assistir a esse incidente, não pressenti que estava a testemunhar o início do fim de um mais talentosos jogadores da história do futebol inglês. Desde esse dia, Paul Gascoigne nunca mais foi o mesmo. A sua recuperação não foi completa, a sua vida errática por vários clubes foi marcada por um trajeto de drogas, álcool, episódios policiais, conflitos amorosos e dissidências familiares. Ontem, num jornal, li que Gazza é hoje um sem-abrigo, que procura a caridade pública.
De certa maneira, Gascoigne teve um destino similar ao de outras estrelas cadentes que o futebol produz, como foi o caso de George Best e, entre nós, de Vitor Baptista.
