domingo, 7 de agosto de 2016

Maracanã


Como era de esperar, Temer teve a vaia tradicional no Maracanã. Nada de novo: "Maracanã vaia até minuto de silêncio", já escrevia Nelson Rodrigues, o mais genial reacionário brasileiro.

O Maracanã, esse estádio-símbolo do futebol mundial, esse Wembley com sol, está hoje muito diferente. Mas ao ver nele entrar, na inauguração olímpica, a "vóvó" Elsa Soares (por que será que, ao vê-la, me lembro sempre da Mara Abrantes?), tive pena que ali não estivesse também Mané Garrincha, esse seu famoso namorado, o mago de pernas tortas na ponta-direita, que tanto génio por aquele (ou outro) gramado ilustrou. E, claro, a história dos russos.

Foi no Mundial de 1958. Garrinha estava a ser instruído pelo treinador Feola sobre o modo de ultrapassar a defesa russa. Há muitas versões do episódio. No essencial, Feola teria dado sucessivas dicas a Garrincha sobre como atrair e derrotar, sucessivamente, os jogadores russos, até conseguir chegar à linha de fundo e centrar para a cabeça de Vává. O dispositivo era descrito de forma tão precisa, com decorrências tão automáticas no colapso da defesa então soviética, que Garrincha, a certo ponto, não se terá contido e perguntou: "E já combinaram com os russos?" 

A frase ficou até hoje e é utilizada regularmente, no dia-a-dia brasileiro, para significar uma situação difícil em que apenas por ingenuidade se pode crer num resultado favorável, como se o adversário não existisse.

Às vezes, acho que a Nato tem, um destes dias, de pensar a sua estratégia europeia com Garrincha.

1 comentário:

Anónimo disse...

Magnifica a apresentação da abertura das Olimpíadas. Os Brasileiros saíram de alma lavada. Nunca vi, todas as delegações tão felizes. Portugal foi um dos mais aplaudidos. O Temer só foi um pouco vaiado, a Dilma o Maracanã inteiro num coro afinado com a musiquinha: Hey Dilma vai tomar no c*. O mundo inteiro ouviu o que ela merecia! Entrou muda e sai calada.