quinta-feira, 4 de agosto de 2016

A título devolutivo

Um secretário de Estado recebeu um subsídio de residência, por uma espertalhice qualquer. A imprensa agitou-se, ele retorquiu que era legal, mas devolveu a massa.

O presidente da República foi num Falcon do Estado ver um jogo da seleção no Europeu. Algumas boas consciências escandalizaram-se. O chefe de Estado tentou, com contas "à moda do Porto", devolver a percentagem do gasto. O governo não aceitou e o cheque ainda deve andar por aí.

Um outro secretário de Estado, à boleia aérea da Galp, foi ver dois jogos do Europeu. Legal, diz ele, mas, pelo sim pelo não, quer devolver o custo da viagem.

Os três casos, muito diferentes entre si, têm em comum a sujeição à pressão mediática. 

No primeiro, tratou-se de uma chico-espertice.

No segundo, tentar pagar foi um nítido caso de excesso de zelo, em que o presidente não deveria ter caído.

O terceiro caso é um exemplo acabado de "porreirismo" à portuguesa. 

Três tristes tramas.

Somos um país que ainda não encontrou o registo certo para estas questões de ética pública. Talvez por isso, a exemplo de outros Estados, devesse ser criada - mas, por favor, "longe" da Assembleia da República! - uma comissão de ética e regulação de conflitos de interesses, com um estatuto idêntico ao da Provedoria de Justiça, que pudesse funcionar como um órgão de consulta automática neste tipo de questões, acionado por queixas ou por iniciativa própria, que igualmente pudesse dar sugestões de alterações legislativas. Tenho mesmo um nome para presidir a esse órgão: Guilherme d'Oliveira Martins.

10 comentários:

Anónimo disse...

Se isto se tivesse passado no anterior governo o que o senhor nao diria!!!

Anónimo disse...

Senhor embaixador... acho que a isto chamam e'tica republicana... eu chamo outra coisa, mas cada um e' que sabe...

Joaquim de Freitas disse...

De Gaulle pagava a nota de electricidade do seu apartamento do Palais de l’Elysée. Entre isto e as sanguessugas da economia nacional, que dos bancos, passando pelos ministérios e as empresas, e instituições de todo o género sugam o sangue do povo, deve haver um meio-termo.

Ne faites rien contre votre conscience, même si l'Etat vous le demande.
Albert Einstein

Anónimo disse...

Trata-se de "peanuts", quando se ouve falar de estudos que dão os governos em Portugal como os mais corruptos do Mundo.
A propósito de corrupção:ontem passou mais um ano sobre a queda da cadeira do ditador a quem ninguém aponta nada sobre corrupção...

Reaça disse...

Atitudes desencontradas entaladas entre o trauma da austeridade de 40 anos de estado-novismo e a falperra do esbanjamento dos dois emblemáticos Presidentes Abrilistas, Mário Soares e Jardim da Madeira.

Tudo tão contraditório, que a maralha nunca mais acerta o passo.

ignatz disse...

xico-espertice é o porreirismo deste poste sobre um presidente zelota.

Anónimo disse...

Catano! O Einstein (que era alemão e vivia nos EUA), dizia máximas em francês!

Anónimo disse...

A sugestão do nome de Guilherme de Oliveira Martins parece-me muito boa, para esse tal hipotético cargo. Quanto às contas à moda do Porto, ao que sei seria á moda de porto, ou seja das contas que os marinheiros faziam, quando se encontravam nos portos, sabendo lá quando se voltavam a ver e assim ninguém ficava a "arder", ou a dever, a outro.
Bom Verão!

Correia da Silva disse...

Em francês, inglês ou mandarim , Monsieur de la Palisse, perdão, Monsieur de Freitas, apenas se limitou, a meter o dedo na ferida.
Mas, enfim....tudo é relativo !!!





Anónimo disse...

Mais triste ainda é a justificação de «trabalho político» para faltas dadas pelos nossos deputados para irem ver a bola... Sujam-se por 140 euros... E ninguém os põe na ordem... Há uns anos havia um que ia para a caça e a pesca também fazer «trabalho político»...
São colunas vertebrais muito especiais...