sexta-feira, 29 de julho de 2016

Uma equação fácil

Se tivessem sido aplicadas sanções a Portugal, a culpa era do governo, não era? Não haveria bicho careta fora da "geringonça" (e alguns dentro dela) que não achasse que teria sido uma grande derrota para António Costa. Estamos de acordo nisto, não estamos?

Pois muito bem, passemos então à frente. Não houve sanções. Então, por um raciocínio de lógica meridiana, se não houve uma derrota para o governo, houve uma vitória para o governo. Nestas coisas ninguém empata (é como a gravidez: ninguém está "um bocadinho" grávido). 

Será que, neste caso, os potenciais críticos, no caso de um resultado diferente, estarão preparados para felicitar o primeiro-ministro do seu país por aquilo que constituiu, sem a menor sombra de dúvida, uma vitória de Portugal? E uma vitória é, apenas e simplesmente, o contrário de uma derrota, ou a lógica é uma batata.

3 comentários:

Anónimo disse...

Concordo.
António Costa é talvez o primeiro PM da área socialista que sabe de assuntos europeus, conhece a máquina comunitária e o seu processo de decisião interno. E isso é decisivo. Naturalmente, se não tivesse "jeito para a coisa", que tem, não lhe seria possível avaliar as consequências de uma ou outra posição negocial, antes de a tomar. Parabéns, pois, ao PM António Costa.

Estou certa também de que, para além de uma actuação concertada a todos os níveis, como forma de aumentar o nosso "leverage" negocial, muito terá contribuído para este defecho, o bom relacionamento institucional criado por ele pelo PR com os Chefes de Estado e de Governo de países como a FR, DE, IT, entre outros, a genuína amizade de JC Juncker pelos portugueses e a consistência do nosso argumentário repetido "ad eternum".

Mas não se esqueça que esta foi também uma das poucas vezes em que a nossa diplomacia recorreu à "ameaça" - o recurso ao TJ UE - que sabia credível.
O Tribunal dar-nos-ia muito provavelmente ganho de causa, nós faríamos disso uma bandeira, a Europa ficaria mal vista novamente e os países defensores de uma leitura cega dos números ficariam ainda mais fragilizados no que se refere à defesa do ideal europeu.

Alguns deles vão ter eleições, outros estão a braços com visões populistas contra o ideal europeu apoiadas em carinificinas que nada têm a ver com a prossecução desse mesmo ideal.

Como se diz por cá, "tudo visto e ponderado, não compensava ".
Julgo que também foi isto que esteve por detrás dos alinhamentos no colégio de comissários que, como sabemos, é independente dos telefonemas que recebe antes de se reunir.

Nós fizemos a leitura correcta do quadro negocial, mas tivemos também a audácia de nos colocar como " demandeurs", quando tudo apontava para que fossemos aqueles que apenas têm de dar explicações. Bem jogado, sem dúvida.

Anónimo disse...

Senhor embaixador.... Por essa "lógica da batata" Portugal saiu vitorioso da primeira e segunda grandes guerra. Ganda fuga que derrotou o boche!

Anónimo disse...

Notícia: O BARCO ENCALHOU. Posteriormente: O COMANDANTE DESENCALHOU O BARCO...