quarta-feira, 6 de julho de 2016

São

É isso que sinto. Raiva. Ainda antes da tristeza. Por mais estranho que possa parecer. Há pouco mais de uma semana, no nosso tradicional passeio no Tejo, estavas com aquele sorriso bom e sereno que era o teu. Preocupada com o bem-estar dos outros, nesse gosto, generoso, simples e natural, de criar um ambiente positivo, para que todos nos sentíssemos alegres e felizes. Falámos dos dias comuns que nos esperavam em Tróia, da vossa viagem "de pequenas" a Milão, em setembro, e de como nós, os maridos que por cá ficariam "de Rodriguez", iríamos aproveitar a "folga". Claro que havia, de permeio, a tua intervenção cirúrgica, mais uma, mas esta era bem simples, "vai correr bem, claro que vai!", disseste, connosco sem razões para não partilhar a tua confiança. Não correu. 

É verdade que há muito que aquele brilho luminoso no olhar beirão do Zé já não era o mesmo. Quando, às vezes, nos surgia pela "Dois", para um copo noturno, nele pairava quase sempre a sombra da preocupação, fruto do realismo trágico de quem é da profissão dos que cuidavam de ti. Na maneira como nos falava de como ias, sentiamo-lo a convencer-se a si mesmo de que ganhar tempo era ganhar-te vida. E que isso era o mais importante. Até hoje. Saíste agora, discreta, da cena dessa vida. Com esse tal sorriso bom e sereno com que sempre te recordaremos. Com imensa tristeza, mas também com uma incontida raiva, quase egoísta, por já não poderes estar connosco, por aí. Adeus, São.

3 comentários:

Anónimo disse...

A vida é um sopro! Oscar Niemeyer.

Isabel Seixas disse...

Sem Palavras...

Anónimo disse...

Não podia deixar de partilhar! Pela São e pela Joana com quem partilhei o início da sua vida profissional e que a levou a Bruxelas.