domingo, 28 de setembro de 2014

Caro António José Seguro

Escrevo-lhe no dia das eleições primárias do PS.

Recordo bem as conversas que fomos tendo ao longo de meses, o estímulo que dei para o seu esforço em construir uma oposição, simultaneamente eficaz e responsável, à triste governação que nos saiu em rifa. Tenho presente a confiança que em mim colocou, ao ter-me formulado honrosos convites, que nunca pude aceitar, com exceção da pontual colaboração na dimensão europeia do "Novo Rumo", uma iniciativa em que tive uma grande honra em participar e de cujo resultado me orgulho. Pela razão que sempre lhe disse: estou, em definitivo, indisponível para qualquer atividade política ativa. E esse é também o motivo pelo qual, com total liberdade, posso hoje dizer abertamente o que penso.
 
Desde logo, quero deixar claro que a sua tarefa, ao longo destes mais de três anos, foi sempre muito difícil. Você fez opções corajosas, com o objetivo de credibilizar a imagem internacional do PS, ao não obstaculizar o orçamento de 2012 e ao votar favoravelmente o Tratado Orçamental. Nenhum líder socialista responsável teria procedido de forma diferente, tenho absoluta certeza. E foi você, na solidão do lugar onde se encontrava, que teve de tomar a decisão. E fê-lo da forma certa, por muito que agora, com a comodidade da distância, alguns achem que isso não deveria ter sido feito. 
 
O seu espaço de manobra, ao longo de todo esse tempo, com um presidente da República que agora se revela em pleno, foi sempre muito reduzido: caminhar entre um "memorando" que o país político tinha aceite maioritariamente a contragosto, sob um estado de necessidade, e um governo que, dia após dia, surgia incensado por Merkel & quejandos, numa espiral de elogios que parecia diretamente proporcional ao desastre que ia provocando no país. Dir-se-á que, aqui ou ali, poderia ter procedido de forma diferente: talvez, mas você não era um líder populista, lesto a cavalgar "a rua", e tinha a estrita obrigação de cuidar a imagem histórica de responsabilidade do partido que o escolheu. E isso de se dizer que você comprou cedo a "narrativa" do governo sobre a crise é muito fácil de afirmar agora, num tempo em que as pessoas parece já terem esquecido o ambiente político-mediático, cá dentro e lá fora, sob o qual Portugal vivia. A memória é curta, meu caro.  
 
Mas nem só fora do PS estiveram as suas dificuldades. Estavam também no seio do grupo parlamentar socialista, onde você nunca pôde contar com um núcleo importante de deputados, que sempre o combateram. Por três razões: alguns porque nunca aceitaram a sua vitória e não se subordinaram democraticamente à sua liderança, outros porque você não se soube mostrar solidário com muitos aspetos positivos da governação socialista anterior (um importante erro seu!) e, finalmente, com outros que você decidiu não cooptar para a ação política de primeira linha (e fez mal!). Hoje, toda essa gente está com António Costa, alguns deles, há que dizê-lo, por terem entretanto percebido que você lhes não renovaria o mandato em 2015. Houve, de facto, muito sectarismo dentro do PS, mas você, meu caro António José Seguro, também não está isento de culpas nesse domínio. 
 
O PS, consigo, ganhou duas eleições? É verdade. Mas, sejamos francos, nas recentes europeias, o resultado conseguido ficou muito aquém daquilo que seria expectável que o principal partido da oposição pudesse ter conseguido, perante um descalabro da (antiga) maioria e um sentimento de revolta e desânimo que atravessa o país. A distância virtual entre o resultado obtido pelo PS e aquele que se pode computar ao PSD no seio da coligação é quase de 10 pontos? Também é verdade. Só que 72% dos eleitores mostraram o seu desagrado com a ação do governo e, dentre esses, o PS só conseguiu representar 32%. Isto é, 40% do país revoltado escapou-lhe de mão. E isto é um facto, mesmo com a atenuante da especificidade das europeias (mas, se formos por esse caminho, também o resultado das autárquicas pode ser lido como uma opção personalizada pelos candidatos e não uma ação virtuosa do PS central).
 
Como eu, com toda a franqueza, lhe referi logo após as eleições, muitos socialistas (e muita gente que vota PS) não se reviram no seu deslocado discurso da noite eleitoral. Foi um mau resultado e, como também então lhe disse, esse resultado e a forma como você o interpretou abriram o caminho natural à candidatura de António Costa. Não tem qualquer sentido você insistir em dizer que foi uma deslealdade o surgimento desse desafio: foi a resposta polarizadora de um sentimento que atravessava muita gente. Gente muito diversa, desde aqueles que, dentro e fora do PS, nunca acreditaram politicamente em si e a quem o seu estilo de liderança nunca convenceu, até outros que, mantendo por si simpatia e respeito - pela sua seriedade, pelo seu empenhamento, pela sua dedicação - chegaram à conclusão que não podiam arriscar-se a ver o destino do PS, numas futuras eleições legislativas, colado à escassez das vitórias que você lhes prometia. E que, com todo o direito, entenderam apoiar um outro candidato, que consideraram poder vir a protagonizar uma oposição mais eficaz à maioria cessante. 
 
Nessa altura, colocava-se um problema formal e você resolveu-o com inesperada maestria. Não prescindindo - e fez bem! - da legitimidade que os estatutos lhe conferiam (isto é, não se demitindo e convocando congresso e eleições diretas), tomou a decisão sábia de "resolver" o desafio pelo recurso a estas eleições primárias. Provou assim que não fugia à disputa e, mesmo para além disso, abriu-a para além do "aparelho", que o acusavam de ter "na mão".

Tudo estaria mais ou menos bem se o debate, a partir daí desencadeado, se tivesse processado com elevação. E aqui, meu caro António José Seguro, quero dizer-lhe que você esteve muito longe daquilo que eu esperaria de si. E, confesso, desiludiu-me muito. Foi você o primeiro a abrir as hostilidades com acusações de caráter ao seu adversário (como que esquecendo que ele era, antes de tudo, um seu camarada), a espalhar insinuações populistas sem rosto e a desenvolver uma campanha "ad hominem". E isso manchou, em definitivo, a sua imagem. Espero que hoje tenha plena consciência disso. 

Reconheço sem dificuldade que, do outro lado da barricada, alguns agitados prosélitos de António Costa - nos blogues, no facebook, no twitter, nos jornais e nas televisões - colocaram-se, desde cedo, ao mesmo nível a que você fez cair a campanha. Lamentei muito não ver a voz de António Costa a tentar travar essa deriva, mas há que reconhecer que, neste particular, nas intervenções que ele próprio fez, esteve bastante melhor que você. Se acaso ele ganhar, cedo vai perceber que, se quer que um PS sob a sua liderança seja tomado a sério, terá de se afastar de muita dessa "ganga" de "talibãs" de conversa económica radical - uma espécie de émulos, do outro lado do espelho, da "rapaziada" neoliberal que hoje enxameia os corredores do poder. Uma campanha pode ser conduzida assim, o Estado não.
 
Nos debates televisivos, devo dizer que não encontrei o António José Seguro que eu conhecia, o homem sereno, equilibrado, com sentido de defesa dos interesses do seu partido, colocando as ideias - e você construiu um "banco" de ideias que são património de "qualquer" PS - à frente da chicana. Posso estar enganado, mas quem vi por ali foi um homem ferido, amargo, com uma agressividade deslocada e não construtiva. Alguém que teimou em "deitar sal" sobre as feridas, como se, com essa atitude, quisesse consagrar uma vingança pessoal. Não gostei nada do que vi. E, por isso, meu caro António José Seguro, com toda a consideração pessoal que sabe que mantenho por si, lamento ter de dizer-lhe que, hoje, não vai poder contar com o meu voto.  
 
Com um abraço amigo do
 
Francisco Seixas da Costa

28 comentários:

m.martins disse...

Excelente!

Um Jeito Manso disse...

Dizer o quê? Seguro não tem carisma nem nasceu para ser um líder. Carisma e liderança são características basilares para um cargo como aquele que ele tanto ambicionou.

Poderíamos ter ficado por aí. Mas ele, com esta campanha que provocou e com estes debates que exigiu, mostrou também ter uma personalidade mesquinha e um carácter que deixa muito a desejar.

Afogou-se no próprio fel.

Dele não rezará a história do PS.

(Temos pena)

Francisco Cunha Ribeiro disse...

Absolutamente em desacordo com o embaixador Seixas da Costa.
O discurso é muito bem escrito, mas - francamente!- dizer que não se vota em SEGURO por o ter desiludido nos debates?! Valha-me deus! Nenhuma lógica. No que é essencial para a política e para o país, diz o Sr Embaixador que Seguro é Bom, e pega/ "segura" no que é apenas formal, como a postura nos debates, para dizer "não voto em si". Francamente, quem está desiludido sou eu, Sr Embaixador Seixas da Costa, que muito admiro e respeito.

Francisco Seixas da Costa disse...

Caro Francisco Cunha Ribeiro. Leia melhor

Anónimo disse...

Comenta a 'velha senhora', a rimalhadeira (que parece ter, desta vez, problemas com as rimas...):

ah finalmente, meu bem!
mais vale tarde que nunca!
espero agora que alguém

(…só rima, porra, 'espelunca' -
que não dá, nem 'junca' e 'trunca'!...)

ainda a tempo isto leia
e vote em quem é devido,
que assim tem mesmo que ser:

por costa o povo é que anseia
(seguro foi-se ao comprido)
pra ter de volta o poder.

Anónimo disse...

Mutatis mutandis esta é uma carta aberta a Rui Patrício nas vésperas da investidura da Junta de Salvação Nacional.
Tenho a impressão que é a única vez que não concordo com o Senhor Embaixador, apoiando eu Costa e não Seguro.
Paulo

Anónimo disse...

Meu caro Embaixador, mais vale tarde que nunca, junte-se aos bons, que sempre terá a solidariedade do seu amigo Feliciano (aquele Senhor Alcipe é um medricas, tem medo de vir aqui dizer o que pensa).

Vou agora votar aqui em Paris (sim, pode-se também votar no estrangeiro, senhor Alcipe!) no camarada António Costa. Há muito que era evidente a fraqueza da liderança de Seguro. O processo das negociações durante a crise do "Irrevogável" mostrou-o bem. Mas já agora, se me dá licença, falo consigo depois de ver os resultados. E não dê ouvidos às tolices do Senhor Alcipe, o processo contra mim não tem o menor fundamento, foi apenas uma cabala baixa do Golungo Baixo contra o Golungo Alto!...

Com a sincera amizade e admiração do

Feliciano da Mata

patricio branco disse...

reconheço em ajs um lider humilde, nada arrogante, nada populista, um homem que tem trabalhado com algiuma solidão, mas não da forma que seria a indicada. Ganhou as europeias mas por pouco (em relação a uma coligação de 2 partidos, atenção)é verdade, mas quem acredita hoje nos politicos? a abstenção aumentou, e para lá foram votos do ps e doutros.
seguro vai perder, não será uma derrota estrondosa e o resultados "não históricos" do que ganhará e do que não serão como os das europeias...
a vontade cada vez maior de costa querer o lugar explica a sua impaciencia e o ter saltado, estava arrependido do acordo a que chegara antes em coimbra.
mas está bem, vamos esperar por ciosta na oposição, a fazer frente a pc e pp, sempre é um personagem com maior formação politica, com mais presença retorica, inteligente, e necessitamos duns oposicionistas de maiosr peso.
boa carta aberta, onde ficanmos a saber outros pormenores.

Anónimo disse...

Coelho e Portas são do pior que alguma vez governou este país. Seguro é corajoso mas é frouxo. António Costa é uma mula velha com muita lábia mas que nem foi capaz de dirigir a CML quanto mais o país. Jerónimo continua a desbobinar os mesmos chavões proletários de sempre num país em que todo o bicho carete quer ser empresário. E o BE continua mais preocupado com os direitos das minorias estrangeiras e de comportamentos sexuais desviantes do com os da maioria dos cidadãos deste país. Marinho Pinto ainda enganou alguns (não a mim) durante algum tempo mas a mascara caiu e revelou mais um oportunista. E o resto é paisagem...

Anónimo disse...

Quem nao esta connosco, esta contra nos. Assim era no tempo do animal feroz.

Seguro perderá hoje as primarias.

Em 2015 lá irei colocar um voto no psd e tal como nas eleiçoes anteriores, para evitar q determinado ps fique a comandar o destino do país.

Alberto Moura disse...

Gostei bastante deste texto, quer do conteúdo, quer da forma, por revelar muito bem nas entrelinhas tudo o que seria fastidioso revelar nas linhas. Direto e eficaz. Parabéns!

Anónimo disse...

Quem nao esta connosco, esta contra nos. Assim era no tempo do animal feroz.

Seguro perderá hoje as primarias.

Em 2015 lá irei colocar um voto no psd e tal como nas eleiçoes anteriores, para evitar q determinado ps fique a comandar o destino do país.

Anónimo disse...

Um texto que é um belíssimo Requiem a António José Seguro! Também, socorrendo-me de García Márquez, é uma belíssima Crónica de uma morte anunciada. Venha Mozart a ajudar à festa. Requiescat in pace (descanse em paz"

Anónimo disse...

O conceito de primárias, alargadas aos simpatizantes, é bom, mas, depois de chamar "gravíssimo precedente" à disputa democrática da liderança, Seguro resolveu abrir, com a invenção das primárias, outro "precedente", muito mais afastado da história do partido, com a ideia de que o aparelho estava inquinado e de que os simpatizantes lhe dariam a vitória. Vai hoje provar-se que se enganou rotundamente com esse calculismo.
Um abraço,
ZB

Anónimo disse...

Bolas, bolas, Sr. Embaixador.
Se a minha consideração por si já era elevada, hoje, ela tingiu fasquias máximas.
Não, não é por ter dito que não ia votar AJS. É pela lucidez, pela sensatez e pela objectividade do que escreveu. Soube distanciar-se o necessário e suficiente para – independentemente dos afectos e proximidades – apontar o que esteve bem e o que esteve menos bem. Em suma, soube separar o trigo (valores democráticos) do joio (fait divers de campanha).
Com excepção do conteúdo do 7º parágrafo - não considero que AJS tenha resolvido o problema com inesperada maestria. E a prová-lo estão todos os acontecimentos posteriores. AJS podia ter-se poupado, a ele e ao PS, de cair na deriva, com inegável prejuízo para ambos. Assim como podia ter evitado expor, com confrangedora evidência, que as suas verdadeiras intenções eram (e são) a de não admitir qualquer ameaça à sua liderança. Ora, em política, a relegitimação da liderança interna faz-se com directas. – Subscreveria tudo. Escreveu uma brilhante carta com um pensamento ainda mais brilhante e escorreito.
Por isso, fico contente por si e por mim. Por mim, porque não gosto de ser defraudada e é sempre com redobrada satisfação que verifico que não me engano sobre o carácter das pessoas, mesmo quando se trata de fazer uma análise à distância. Por si, porque, felizmente, é como é. Bravo!
LN

Anónimo disse...

Já agora, que falamos da estratégia (suicida, diria eu) do AJS, deixo o conselho de Pedro Rolo Duarte ao AJS:
"Ora, se Seguro quer vir a ser primeiro-ministro não pode falhar três itens essenciais: ter postura de estado quando há calamidades, não brincar com a miséria alheia, e não revelar ignorância em matérias essenciais. Conseguiu fazer o pleno da asneira. António Costa não alinhou na brincadeira, mas não ficou melhor na fotografia: enquanto Lisboa submergia, manteve-se paulatinamente em Coimbra, fazendo campanha. Estão ou não estão a brincar com isto tudo?"
http://pedroroloduarte.blogs.sapo.pt/eles-continuam-a-brincar-aos-partidos-384444
LN

Anónimo disse...

Subescrevo integralmente o post do anónimo do Requiem. Acrescento, Quousque tandem abuteris paciência nostra Seguro?

Guilherme.

Anónimo disse...

Meu caro Francisco,

Porque sei que estamos irmanados na importância que atribuímos às eleições primárias do PS e na relevância que elas não deixarão de assumir no futuro próximo do país, junto deixo - no contexto da carta a António José Seguro, a que entendeste dar publicidade no início do dia eleitoral de hoje - o texto que, ora mesmo, acabo de lhe enviar.

http://causa-nossa.blogspot.be/2014/09/carta-de-um-simpatizante-do-ps-aqui.html


Abraço sempre amigo
do
António Franco

Anónimo disse...

"Tinha aceitado", sr embaixador. Participio passado regular. Parabens pelo texto

luís rodrigues coelho Coelho disse...

Um fim à vista.
Talvez depois ainda tenham saudades dele.

Agomes disse...

No essencial, concordo com o texto, onde AJS esteve mal principalmente na confrontação verbal com AC. Mas entre um líder que durante três anos lutou sozinho contra duas maiorias, uma do governo e outra no próprio PS, mas que exagerou na linguagem e um outro, AC, que depois de reuniões e acordos com o próprio AJS, na primeira oportunidade espeta-lhe a faca nas costas, que podem os portugueses esperar? Traiu o seu líder, esqueceu o acordo, entre outras coisas, como podemos nós acreditar num hOMEM que trai a sua própria família?

Anónimo disse...

ahahahaha
Eu gosto desta desculpa segurista: traiu o seu líder, traiu a sua própria família.
E o AJS traiu quantos militantes? Quantos votaram nele para ser líder da oposição? E o que é que o homem fez? Anulou-se! Boa. Uma boa forma de cumprir o mandato que prometeu aos que o elegeram. Dá para confiar em alguém que elegemos, porque promete ser um bom líder, fazer oposição e que depois se anula?
Quantos familiares traiu AJS? Todos os camaradas que o elegeram na convicção de que elegiam um líder. Não serve para líder? Não cumpre o que prometeu? Anulou-se? Substitua-se. Através de eleições como deve ser numa democracia.
Deixe-me dizer-lhe, caro Gomes, que esse foi o pior defeito de AJS. Ter engando quem o elegeu. Outro igualmente grave: ter feito passar - sem ninguém dar por ela - uma alteração estatutária que o "impunha" no cargo até às legislativas. E esta?

Anónimo disse...

A 'velha senhora' volta às rimalhices para comentar comentadores. Saúda e subscreve, claro, Feliciano da Mata, discorda de Agomes e concorda com Anónimo das 13:45:

o costa trai o pê esse?
pê esse vai, vota em costa!
seguro cai - e parece
traidor ser ele, pois que esse
pê esse no qual aposta,
pê esse que lhe apetece,
é dele que nada gosta.

se ainda dúvida houvesse,
pê esse deu a resposta:
seguro, desaparece!
a gente quer é o costa!

Agomes disse...

Pior que ser mau líder (na sua opinião) é ser traidor (na minha opinião). Eu aceito e respeito as suas opiniões, mas aquela da alteração estatutária sem ninguém dar por ela, não é verdade, pois foi tema de discussão e aprovada pelos militantes. Se não serve, altere-se. Cumprimentos.

Anónimo disse...

Engana-se duplamente caro gomes.
1. Eu não disse que AJS foi mau líder. Disse que ele foi o primeiro a trair quem (camaradas) o elegeu. Portanto, ele foi mau líder e traidor.
2. Descobrir muito depois que os estatutos estavam blindados serviu para sabermos que muitos congressistas passam pelo congresso como cao por vinha vindimada. É uma feira de vaidades porque ninguém lê nada, nem discute nada. Os congressos não passam da passarela para meia dúzia de vaidosos irem lá cima debitar umas merdas e depois levantarem o braço quando lhes dizem para votar.

menvp disse...

Mestres em Despesa/Endividamento é coisa que há para aí aos montes... todavia, no entanto... porque é que quem paga (vulgo contribuinte) não há-de ter uma palavra a dizer!?!?!!!
{uma nota: o contribuinte agradece que sejam apresentadas propostas/sugestões que possibilitem uma melhor gestão/rentabilização dos recursos disponíveis... ou seja: em vez de propostas de despesas/endividamentos/aumentos... apresentem propostas de orçamentos!}
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Ora, de facto, foram Mestres em Despesa/Endividamento [com o silêncio cúmplice de (muitos outros) mestres/elite em economia] que enfiaram ao contribuinte autoestradas 'olha lá vem um', estádios de futebol vazios, nacionalização do BPN, etc... e... foram Mestres em Despesa/Endividamento que andaram por aí a apregoar aos sete ventos: "implosão da soberania ou o caos"!...
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--->>> OS POLÍTICOS QUE APRESENTEM IDEIAS/PROPOSTAS (DE FORMA TRANSPARENTE) QUE PODERÃO SER, OU NÃO, VETADAS POR QUEM PAGA (vulgo contribuinte).
[Fim-da-Cidadania-Infantil]
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Anexo: Para que certos sectores de actividade não venham a «ficar entregues à bicharada».
(é uma actividade complementar à regulação... e faz todo o sentido)
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-> No blog "'Fim-da-Cidadania-Infantil'" faz-se referência ao facto de ser necessário uma apresentação sistemática da actividade governamental... para que... quem paga (vulgo contribuinte) possa ter/exercer uma atitude crítica (leia-se: o seu Direito de Veto).
-> De uma forma análoga, as empresas públicas devem apresentar de forma sistemática a sua actividade (nota: a definir caso a caso... consoante o tipo de actividade da empresa pública)... para que... o consumidor/contribuinte possa ter/exercer uma atitude crítica!
Um exemplo: quiseram introduzir taxas em cada levantamento multibanco... todavia, no entanto, o consumidor/contribuinte reagiu: "o banco público C.G.D. apresentava lucros... sem ser necessário a introdução de mais uma taxa"!?!?!
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Resumindo:
1- ficar à espera de auto-regulação privada/(de mercado) é coisa de otários...
2- a Regulação Estatal é necessário... todavia, no entanto... é algo que poderá ser um tanto ou quanto contornável... (uma nota: ver casos do BPN e do BES)
3- para que certos sectores de actividade [exemplo 1: a actividade política; exemplo 2: sectores estratégicos da actividade económica] não venham a «ficar entregues à bicharada»... é necessário que exista uma apresentação sistemática da sua actividade [ex. 1: governo; ex. 2: EMPRESAS PÚBLICAS em sectores económicos estratégicos] ... para que... o consumidor/contribuinte possa exercer uma constante atitude crítica!
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P.S.
Uma opinião um tanto ou quanto semelhante à minha:
Banalidades - jornal Correio da Manhã:
- o presidente da TAP disse: "caímos numa situação que é o acompanhar do dia a dia da operação e reportar qualquer coisinha que aconteça".
- comentário do Banalidades: "é pena que, por exemplo, não tenha acontecido o mesmo no BES".

Antonio Oliveira disse...

Concordo plenamente. Excelente análise que partilho inteiramente ! Bravo pela coragem de o dizer abertamente. Espero que o António Costa que apoiei desde o início se mostre à altura e combata com vigor a política desastrosa deste governo.

Anónimo disse...

Concordo no facto de AJS não ter o carisma que AC tem, mas teria sido interessante que nessa carta revelasse a diferença no projecto político dos dois candidatos, pois talvez ai encontrasse diferenças favoráveis a AJS.