segunda-feira, 5 de maio de 2014

Pela hora da "troika"

Às vezes, percebemos que outros dizem melhor do que nós aquilo que pensamos. Um dos mais lúcidos observadores da vida portuguesa contemporânea, Viriato Soromenho Marques, sintetizou há dias no DN precisamente o que penso sobre a nossa situação económica e financeira, num artigo intitulado "Mais perdas do que ganhos". Aqui fica, com a devida vénia, como era uso dizer-se:

Depois destes três anos de voragem, todos temos a obrigação de estabelecer um balanço do "programa de ajustamento". Na minha leitura, os ganhos são frágeis e conjunturais, enquanto as perdas são estruturais, e algumas até irreparáveis. O equilíbrio das contas externas é a nota positiva, mas uma análise mais fina revela que ele só ocorreu devido a uma redução das importações, em virtude da contração da procura interna. Por outro lado, a redução da despesa pública, como na saúde e na educação, ultrapassou em muitos casos a linha vermelha da entropia de instituições e serviços. A redução do défice foi obtida através de uma austeridade mais baseada no aumento dos impostos do que em cortes inteligentes da despesa. Os falhanços estruturais são imensos. Desde logo uma dívida pública que não cessa de aumentar (e a redução da dívida foi o motivo deste programa!), e cuja gestão futura se assemelha a uma roleta russa. O aumento vertiginoso do desemprego e a explosão da emigração criam problemas sociais permanentes e alienam recursos humanos válidos e insubstituíveis por um período que só poderá ser de longa duração. A redução do PIB e o aumento da pobreza demorarão anos a ser compensados por taxas anémicas de crescimento. Uma trajetória que arrisca a deflação, aumenta ainda mais os custos do crédito e do investimento, que seriam indispensáveis para o aumento da competitividade. Como coroa do desaire, a gestão danosa dos ativos públicos, através de privatizações que lesam o interesse nacional, reduzem o Estado a uma entidade virtual, incapaz de se assumir como um criador de estratégias que compensem a total dependência em que o País se encontra de decisões alheias. E o facto de este cândido balanço não ser unânime revela que, mesmo no plano da ética pública, nenhuma lição parece ter sido aprendida.

25 comentários:

Anónimo disse...

Será tudo o que lhe quiser chamar menos um"balanço" porque o que está escrito é o que a oposição diz sem parar desde o primeiro dia incluindo a afirmação de que a dívida diminuíu. Como poderia se continua a haver déficit?
Para mim o balanço é outro: o programa da Troika negociado pelo PS foi cumprido, com os ajustamentos que a dita Troika permitiu. Ou não perdemos a independência quando a bancarrota socratista foi declarada?
João Vieira

Luis Miguel Correia disse...

O País chegou onde chegou conduzido pelo partido PS-PSD-CDS que nos governa há décadas em exercício crescente de incapacidade e irresponsabilidade generalizada. Não temos tempo a perder a discutir entre os três mandantes / (des)governantes. Se o modelo actual faliu e não parece haver gente capaz disponível, haverá que encontrar soluções diferentes do quadro actual, civilizadas e motivadoras. Para onde foi a euforia de esperança de há 40 anos? Estamos quase tão cinzentos como na década de 1960. E parece que se aprendeu pouco com a história, tantos erros repetidos...

Anónimo disse...

Ao Anónimo das 14,48, lembro-o que o programa foi negociado de costas pelo PS e de frente pelo PSD, com o indigitado comandante Catroga, com vitória, foto e tudo ou não? Já agora, lembre-se e diga também que perdemos e muito, a independência, pela "bancarrota" do BPN (amigos do Dr. Cavaco), que estamos a pagar com língua de palmo, o que essa gente roubou e que andam por aí todos piroleiros. Fico furioso quando só oiço falar da época socrática. E do resto, a direita cala-se. Olha se o homem tem feito uma das linhas do TGV das cinco que o Durão queria?

Anónimo disse...

Porque na época em que era situação o PS, o ilustre Embaixador nunca teceu uma crítica ao que estava a ser feito? Quando o PS passou a oposição, este blog começou a receber textos semanais a criticar a política que está a ser seguida em Portugal - que mais que não é um "apagar de fogos" provocados por um incendiário que esteve anteriormente no governo português…...

Anónimo disse...

Nem vale a pena tecer comentários, este blog faz parte daqueles que são "donos" (?) de Portugal.

Eles sabem que os portugueses sabem a história recente !

Continuem entreter-se com o políticamente-correcto-rosa !

Alexandre

Anónimo disse...

Caro Embaixador,

Faça o que puder, com o que tiver, onde estiver.



Francisco Seixas da Costa disse...

Ó Alexandre! Quem o manda ser masoquista? Quem o "manda" ler-nos por aqui? Porque teima em "sofrer" aquilo que escrevo? Porque não se delicia com quem pensa como você? E, acima de tudo, por que será que não assina por baixo? Já pensou?

Francisco Seixas da Costa disse...

Caro Anónimo das 19.53: se seguiu este blogue, terá percebido que ele foi subscrito por quem desempenhou funções de Estado até ao final do primeiro mês de 2013.

rmg disse...


Ainda há uns dias o elogiei e já me vou embora outra vez ...

O VSM não é um observador lúcido , é um observador "engagé" desde sempre e isso pouca lucidez traz .
E eu que não tenho nada de PSD nem CDS e toda a vida votei PS (até antes do 25A...) não sou tão "cego" que não o veja .

Mas não é por isso que me vou embora e (estou certo disso)não lhe vou fazer falta nenhuma .
É que não aprecio este modo como o Dr. Seixas da Costa responde aos comentadores que o "incomodam" , de que o puxar de galões nem sempre está devidamente afastado
(e ainda espero debater pessoalmente consigo isto).

Como temos pelo menos 4 (quatro) amigos comuns não é de descartar a hipótese .

RuiMG

PS - Eu sei que também não assino por baixo e a razão é simples , há mais 2 pessoas com o mesmo nome que eu na família próxima mas eu sou o único que está (e sempre esteve) em posição de dizer barbaridades por tudo quanto é sítio e a toda a gente .

Francisco Seixas da Costa disse...

Cari RuiMG: se está atento a este blogue verificará que por aqui deixo regularmente registadas críticas, algumas delas violentíssimas, que me são dirigidas. Como os comentários são "moderados" (para evitar, por vezes, insultos a terceiros, sob a cobardia do anonimato), eu poderia optar, muito simplesmente, por não publicar o que me desagradasse. Alguns amigos interrogam-se por que não o faço. Ora eu opto por não o fazer para que as pessoas percebam melhor o que é o Portugal de hoje e por onde anda o nível de certa crítica. Acho lindamente que me contradigam, mas não aturo pesporrências. Mas não as censuro, note! Publico-as e digo o que penso. Quando eu, de facto, quiser que alguém vá "pregar para outra freguesia" bastar-me-á "cortar-lhe a coleta". Mas a mim esses fulanos, lá no fundo (e sempre por detrás da sua anónima cortina) divertem-me. Por isso os publico, pir isso os provoco. Quanto a si, não sei o que lhe diga, porque não decifrei as suas charadas de nomes e família. Mas isto não tem a menor importância, isto é um espaço lúdico, um blogue é uma tertúlia sem consequências e apenas para passar o tempo. Pelo menos, é assim que eu vejo isto. Com cordialidade.

rmg disse...


Senhor Dr. Seixas da Costa

Agradeço a sua resposta .

Sei que assim procede e por isso sempre o aplaudi .
Mas não vejo porque há-de optar por determinado tipo de respostas só porque não aprecia o estilo ,uma figura pública com o seu currículo poderia estar acima delas e estou certo que a sua experiência de vida lhe permitíria fácilmente evitá-las e contorná-las com "luva branca".

Quanto ao que me diz respeito limitei-me a explicar porque é que não assinava (criticou hoje outra pessoa e já me criticou uma vez a mim e eu evitei responder nessa altura para não quebrar a minha ligação ao blog).
Julguei assim que fôsse fácil de entender que eu não queria comprometer com as minhas opiniões públicas na blogosfera alguns familiares que não estão interessados em ficar "mal vistos" por minha causa e até procurei dar um estilo meio brincalhão ao texto.

Une pure perte de temps pour les deux , tout ça .
Portanto cá me fico de vez com as minhas "charadas" .

Não fazia ideia que este blogue era uma tertúlia sem consequências e apenas para passar o tempo , não era assim que eu o via .

Cumprimentos

Francisco Seixas da Costa disse...

Caro RMG. O que penso dos blogues é o que aqui escrevi em 8.5.13, isto é, há quase um ano:

"Hoje, num jornal "de referência", deparo com o autor de um artigo a dar como elemento curricular ser "co-autor" de um determinado blogue. Vamos a ver se nos entendemos: escrever num blogue é um exercício de participação no espaço público que pode ter a sua graça - para o próprio e para quem entender lê-lo - mas que não deve ser assumido como uma espécie de estatuto. Trata-se de uma atividade de dimensão lúdica, mais ou menos efémera, que não se pode levar nunca muito a sério. Para escrever num jornal é preciso que alguém nos convide; para escrever num blogue, basta ter vontade e um computador. Quem dá importância excessiva àquilo que exprime através de um blogue, por maior leitura que ele conjunturalmente possa ter (e há blogues excelentes com muito escassos leitores), é porque não tem, na vida real, coisas mais relevantes em que se consiga realizar."

A vida, como então escrevi, não está nos blogues. Está lá fora. Nunca levo muito a sério os blogues, por mais "sérios" e sisudos que se apresentem. A começar pelo meu, que é, para mim, um puro divertimento, que durará até ao dia em que a sua feitura deixar de me divertir. Dia em que o blogue acabará, sem a menor nostalgia. Porque ele é um mero exercício de estilo: não pretendo convencer ninguém, digo nele aquilo que penso e, seguramente, muito do que eu penso estará errado. O blogue não é rigorosamente nada mais do que isso. Por isso me surpreendem sempre as emoções e os sentimentos que certos textos suscitam. E só lhes posso achar graça. Umas vezes mais, umas vezes menos.

Isabel Seixas disse...

"A redução do défice foi obtida através de uma austeridade mais baseada no aumento dos impostos do que em cortes inteligentes da despesa. "

"Os falhanços estruturais são imensos. Desde logo uma dívida pública que não cessa de aumentar (e a redução da dívida foi o motivo deste programa!),
e cuja gestão futura se assemelha a uma roleta russa.

O aumento vertiginoso do desemprego e a explosão da emigração criam problemas sociais permanentes e alienam recursos humanos válidos e insubstituíveis por um período que só poderá ser de longa duração.

A redução do PIB e o aumento da pobreza demorarão anos a ser compensados por taxas anémicas de crescimento."

Concordo plenamente com a análise dos resultados destas politicas,explicita no texto e embora vote sempre PS, basicamente porque acho que o povo para mim é mesmo quem mais ordena e em 40 anos de uso do direito à liberdade de voto, a tendência, assim como assim mais à esquerda selecionada pela maioria da população, é PS, aí estarei na minha intenção de voto nas próximas eleições...

Agora...

" E o facto de este cândido balanço não ser unânime revela que, mesmo no plano da ética pública, nenhuma lição parece ter sido aprendida."

A lição foi sentida: na pele, em todas as sensibilidades , na alma no espírito...
Simplesmente perdemos a esperança no conto de fadas da igualdade e já não conferimos idoneidade nem a nós próprios para ajuizar...

vejo/vemos os defensores acérrimos da igualdade pactuar de forma pacifica em modelos de exercício profissional dúbios do ponto de vista remuneratório, na minha instituição por exemplo há profissionais a receber 400 euros e profissionais a receber 20 000
...
Encontro muitas vezes os tais abençoados dos 20 000 em discursos progressistas de desfaçatez...

Se eu espero que o PS acabe com as assimetrias... Claro que não
Com a injustiça social, claro que não...

Se eu acredito que as referidas desigualdades sejam atenuadas claro que sim...
E ... Substancialmente/satisfatoriamente

Como assim também não cumpri o mais básico desiderato de mãe, de professora , permitir à minha filha e aos profissionais que sou paga para formar,( como cidadã trabalhadora do meu país a dar o meu contributo,) realizar o desejo de trabalhar no seu País e Pátria, sendo remunerados com a dignidade de poder subsistir, de forma autónoma, suprindo as necessidades humanas básicas.

gostava de ter o desplante de atribuir toda a responsabilidade das nossas crises ao Engenheiro Sócrates ou mesmo aos excelentíssimos governantes atuais,

mas simplesmente dá-me o riso...

Defreitas disse...

Aquilo que devia ser sempre "une mise en mots" de ideias e opiniões, transforma-se por vezes em "mise en maux" ! Estes, denunciados por uns, defendido por outros, formam a opinião e seria lamentável que toda a gente estivesse de acordo sobre tudo !

Animar um "blogue" não é coisa fácil. Porque, em princípio, todos devem poder exprimir-se, atingimos por vezes o ponto crítico da democracia quando certas ideias retrógradas ou simplesmente conservadoras pretendem defender o indefensável, quando não são mesmo reaccionárias, isto é, quando defendem um passado que outros gostariam de ver apagado da História. Porque nem todos retiram as mesmas lições desta História.

Aprecio este blogue pela diversidade dos temas e as memórias do autor . Uma vida bem repleta, em altos cargos e em varias latitudes, é sempre interessante a consultar. Sobretudo quando é descrita num óptimo Português, que não é como o meu, exilado há meio século.

Os blogues são um espaço de liberdade onde se encontram informações que os media comerciais não abrangem. Quem esperaria encontrar num jornal uma descrição do panorama moral duma sociedade como a francesa, por exemplo?

Quem nos falaria de tráfego de influência, abuso de fraqueza, favoritismo, vigarice em bando organizado, corrupção, enriquecimento pessoal, conflito de interesses, nepotismo, burla, fraudes de todos os géneros, etc,etc., uma riqueza de vocabulário que contrasta violentamente com a miséria moral e politica dos dirigentes duma Republica qualificada portanto de " irrepreensível" por uns e de "exemplar" por outros?
O exemplo da França não é único. Noutros países também existem. O numero de mulheres e homens políticos implicados, a um grau ou outro, nas "affaires" é impressionante. Impossível de estabelecer uma lista qualquer, exaustiva, dos escândalos politico-financeiros que abanam regularmente a cabeça do Estado.
Sem ir buscar os diamantes de Giscard, temos exemplos recentes que dizem muito da situação num pais democrático como a França : : André Santini, Christine Boutin , Christian Blanc, Christian Estrosi, Alain Joyandet, Alain Juppé, Eric Woerth, Jérôme Cahuzac, Patrick Balkany, Claude Guéant, Serge Dassault, Jean-Michel Baylet, Jean-Noël Guérini, Jean-François Copé, Edouard Balladur, Jacques Chirac, Nicolas Sarkozy etc. etc.
Estranha democracia onde o ex-presidente da republica concentra nele só , meia dúzia de "affaires" nas suas mãos :"affaire" Tapie, "affaire" Karachi, "affaire" Bettencourt, "affaire" líbia, "affaire" das sondagens, "affaire" das escutas telefónicas, etc, etc!
Apesar disso, Sarkozy consegue passar entre as malhas da justiça! E muitos condenados, até são reeleitos pelos cidadãos : Alain Juppé, Balkany, Coppé, e muitos outros! As instituições da Republica, o seu funcionamento não somente são cúmplices destes actos, mas permitem e favorecem a multiplicação das possibilidades de corrupção e dos escândalos de todo o género. Que significa então o Estado de direito, democracia, igualdade, transparência, interesse geral ?
Estes detalhes são felizmente trazidos à opinião publica pelos blogues. Os jornais e a TV passam superficialmente sobre a maioria das affaires" criminosas. E os políticos da "mesma cor" tendem a minimizar o crime.

Defreitas disse...

Suite:

Este é o contexto no qual vamos votar para a Europa dos próximos anos. Que podem esperar as massas populares desta Republica corrupta na qual os dirigentes possuem direitos discricionários que lhes trazem privilégios materiais e simbólicos para eles ou para as suas organizações políticas ? Estes "benefícios" são de qualquer maneira uma espécie de recompensa oferecida pela burguesia aos seus servidores zelosos e dedicados.
Este zelo e esta dedicação traduzem-se numa politica de empobrecimento sistemático das classes populares e pelo enriquecimento duma minoria de poderosos?. Desemprego e precariedade explodem como as desigualdades económicas e sociais.
Eu sei que haverá sempre escândalos e corrupção enquanto que o sistema existir . Na realidade o verdadeiro escândalo é o capitalismo.

Anónimo disse...

O seu blog é um dos meus divertimentos diários !


Alexandre

Defreitas disse...

O comentário de Isabel Seixas é como um grito de revolta e de esperança ao mesmo tempo. Tem razão: a injustiça envolve-nos por toda a parte. Há que escolher o bom caminho mesmo quando este cede por vezes às sirenes do liberalismo e à demagogia.
Na realidade batemo-nos contra um sistema que tem a pele dura. Aqueles que descreve, e muito bem, os tais dos 20.000 euros, existem por toda a parte. São escolhidos pelo sistema para o justificar.
Há mais de 5 séculos que o capitalismo encontrou os seus lacaios para o servir e se servir. A melhor tradução que tenho para "lacaio" é "Larbin".

Os monarcas de todos os países ajudaram à substituição do feudalismo pelo capitalismo. Pode-se citar a longa lista de lacaios de 5 séculos: monarcas, generais, homens de negócios, políticos e altos funcionários, e mesmo pequenos burgueses arrivistas e traidores ao movimento dos trabalhadores. Podemos encontrá-los no seio dos partidos políticos, da esquerda como da direita. A crise do sistema desde 2007-2008 mobiliza todos os "larbins" possíveis para impor uma austeridade drástica ao povo.

Muita gente não compreende o que lhe cai em cima! E os media servis infestados de pequenos "lacaios" estão de serviço para enganar os frágeis cérebros populares que não frequentaram Coimbra. A história trágica do capitalismo não basta para mobilizar as populações para uma outra sociedade, desembaraçada deste sistema de exploradores ávidos e pérfidos.

Para perdurar, o Capitalismo emprega milhares de permanentes mais ou menos bem pagos nos seus sindicatos, dos patrões e outros, nos média escrito e audiovisual, nos partidos politiques enfeudados à burguesia e outras sucursais de "reflexão" como Davos! Sem esquecer os "lobbies" de Bruxelas , do FMI e BCE, que mais não são que correias de transmissão da imensa Finança mundial. Estes milhares de lacaios procuram condicionar o povo e fazer-lhes aceitar esta sociedade de desigualdade ultrajante e sem complexo.

Esta constatação demonstra a força do capitalismo para esmagar o povo e mantê-lo na sujeição ao lucro e à grande burguesia agora globalizada.

O termo de "Lacaio" é pejorativo e entretanto prova que certos indivíduos restam submetidos ao poder duma oligarquia, como no tempo da escravatura , sem nenhum remorso. O capitalismo produz este tipo de falta servil pela atracção de vantagens financeiras ou simplesmente de conforto ideológico e material.

O Lacaio não é nada mais que um simples serviçal, consciente de servir o seu patrão com uma certa afeição sem se questionar sobre nada...

Em conclusão: fala-se de mudar muitas coisas, mas nunca se fala de mudar o sistema. Ora é aqui que está a solução para a grave situação que leva o mundo para o abismo.

Anónimo disse...

ATT Isabel Seixas

"Os falhanços estruturais são imensos. Desde logo uma dívida pública que não cessa de aumentar (e a redução da dívida foi o motivo deste programa!),
e cuja gestão futura se assemelha a uma roleta russa.

Sem ser especialista gostaria que me explicasse como se diminui uma divida quando se é obrigado a pedir dinheiro (porque não há. O que há é a bancarrota) e existe um déficit (isto é : gasta-se mais do que se ganha). SEMPRE esteve previsto o aumento da dívida que subirá enquanto existir déficit. Deve pois reconsiderar os seus argumentos e não acreditar no VSM que tem a obrigação de não dizer um tão grande disparate,mas, pelos vistos, não resiste à demagogia baratinha.

João Vieira

Anónimo disse...

Lodo por aí:

"Ponto: Senhor Engenheiro como comenta a saída limpa?

Senhor Engenheiro: Em primeiro lugar é preciso não esquecer que só foi necessário sair porque tivemos de entrar.

Ponto: Como assim?

Senhor Engenheiro: Tivemos de entrar porque o Coelho votou contra o PEC IV.

Ponto: Mas diz-se que o governo já não tinha dinheiro para pagar salários…

Senhor Engenheiro: É mentira. É uma enorme falsidade. O dinheiro sempre apareceu quando foi preciso.

Ponto: Como assim?

Senhor Engenheiro: Olhe, veja a dívida que o meu governo deixou... praticamente 100% do PIB… Acha que teria sido possível se o dinheiro não tivesse aparecido?

Ponto: Voltando à saída limpa…

Senhor Engenheiro: É absolutamente enganadora a versão histórica que o primeiro-ministro tem dado, segundo a qual foi o anterior Governo que atirou Portugal para a ajuda externa.

Ponto: Mas não foi o seu governo que pediu ajuda?

Senhor Engenheiro: Porque o Coelho votou contra o PEC IV. O pedido de ajuda foi uma medida patriótica do meu governo que aproveitou a este governo e lhe permitiu fazer o brilharete.

Ponto: Com o PEC IV não teria sido necessária a austeridade?

Senhor Engenheiro: Não. De maneira nenhuma. Seria uma espécie de redressement avant la lettre, como o do mon ami François.

(Diálogo quase imaginário, imaginado a partir do tempo de antena do senhor Engenheiro)"

Alexandre

Anónimo disse...

Much ado about nothing. O que ninguém assume é que em mais nenhum pais era possivel fazer tantas "experiências austeras"... como as que foram eexperimentadas" no nosso pais. Isto vai alastrar pela Europa dentro, se o modelo financeiro - aonde nos sentamos nos ultimos anos - não se recompuser com os dinheirinhos que vão arranjando a conta gotas... Assumam uma vez por todas: Portugal foi uma cobaia perfeita (nunca podia ter sido na Irlanda, que tem um Norte/Sul com benzeduras para igrejas diferentes, e, ao pé da Libra;
nunca na Grécia, que fica para os lados orientais...; nunca na Italia, que tem umas diferençazitas entre o Norte e o Sul. Nunca na Espanha!!! Pronto. Portugal é aquele brinquinho... Se nos deixassemos de tolices... O grande objectivo de baixar o preço do trabalho foi conseguido. Acabou tudo em bem. Apenas, a grande divida que havia aumentou. Foi so por acaso, porque quanto ao mais é: much ado about nothing!

rmg disse...


Meu caro Senhor

Agora sou eu que não sei o que lhe diga .

E entre não dizer nada(agradecendo apenas o seu cuidado em responder) e dizer muito pois não voltarei a ter oportunidade de o dizer , opto por dizer alguma coisa e desde já lhe peço desculpa pela maçada pois estou certo que lerá tudo .

A vida não está nos blogues mas também está nos blogues quando aprendemos alguma coisa , quando trocamos ideias interessantes , quando ajudamos alguém a ultrapassar uma situação qualquer , por mais ridícula que nos pareça ser , o tecto de uns é o chão dos outros.

Os blogs são muito frequentados por pessoas já pouco jovens e pouco activas na sua maioria , que precisam de participar de algo mas já não têm a oportunidade (ou a saúde) para isso e encontram neles uma forma de o fazer , daí a importância que lhes dou .

Que a vida está lá fora estamos os dois mais que de acordo , apesar de ser só um poucochinho mais velho tenho filhos quarentões que lutaram , ganharam , perderam , emigraram , voltaram , ganharam outra vez , tenho netos que passaram depressa demais de quase bébés a adolescentes namoradeiro(a)s , tenho
40 anos a dirigir e administrar empresas que de chafaricas pouco tinham , tenho uma vida de reformado em que durmo 6 horas e passo o dia fora de casa e , como acontece consigo , não cobro um tostão a ninguém porque não aceito nada que tire o emprego a outro (mas aceito um bom almoço ou jantar!).

Não tenho assim muito tempo nem feitio para vadiar pela blogosfera e , tirando um blog que referiu há dias e um autor em particular que muito respeito , raramente comento .
Mas tenho todos os dias entre a meia-noite e as 3 da manhã para ler todos os jornais do mundo , já que televisão não vejo há mais de 20 anos.

Acontece que não concordo quando diz que este blog não é mais do que aquilo que indica ou , pelo menos na minha opinião , que nunca foi mais : já foi .
Enquanto desempenhou as tais “funções de Estado” que referiu a um comentador anterior li aqui algumas das análises mais brilhantes aos hábitos e costumes da sociedade em que vivemos , estivessem em causa as pessoas individuais , as instituições ou os Estados .

Por uma razão qualquer e desde que deixou de as exercer e passou a jubilado ou aposentado (não me lembro qual a correcta no seu caso) algo mudou .

A casa é sua , foi construída por si , sou um simples visitante que me permiti e a quem foi permitido entrar nela , o que agradeço retirando em boa ordem .

Mas sendo cada um como cada qual (frase popular que , como todas , não diz nada e diz tudo) eu acho curiosas as reacções das pessoas e , se fosse uma tertúlia , procuraria algum diálogo .
Sendo um passatempo admito de boa fé que apenas achemos graça uns aos outros , umas vezes mais e outras vezes menos , como diz .

Não deixe acabar o blog .

Melhores cumprimentos do

RuiMG

Anónimo disse...

Peço desculpa pela intromissão talvez abusiva mas tenho imensa vontade de concordar com a opinião muito interessante de Rui MG nomeadamente no referente a algo ter mudado: claro que mudou. O alinhamento partidário exige a distorsão de realidades como está muito bem explicado na teoria política. Mas neste caso não é muito grave porque se fôr alcançado o objectivo ministerial a isenção é obrigatória nos Negócios Estrangeiros e portanto: tudo como dantes, quartel general em Abrantes e depois se verá. Entretanto há que dar o desconto!
João Vieira

Francisco Seixas da Costa disse...

Caro RuiMG: não sei o que lhe diga. Eu raramente leio blogues (às vezes, até nem "leio" muito este!). Passo por alguns uma vez por semana. Por outros, de mês a mês. No total, não serão um dúzia (nem os tenho nos favoritos). Não lhe dou a importância que, pelos vistos, lhes concede, isto é, não lhes dou a menor atenção. Admito, por isso, que não siga a minha perspetiva. Tudo bem! A vida continua. Se quiser "passar" por cá, é muito bem vindo. Se não, desejo-lhe saúde e bem-estar. Nos tempos que correm, é o que desejo para mim. Nem mais, nem menos. Cordialmente

Defreitas disse...

Também eu peço desculpa da minha intromissão neste diálogo. Mas a frase de João Vieira:" O alinhamento partidário exige a distorção de realidades como está muito bem explicado na teoria política.", incitou-me a comentar... este comentário.

O problema, é que a "realidade" de uns não corresponde sempre à "realidade" de outros. Daí , como o embuste, a mentira e a distorção da história se veiculam como uma carta no correio, a necessidade de informar, informar e informar ainda.

Por exemplo, não é possível construir uma filosofia de acção emancipadora sem informação , lacuna terrível do salazarismo, que os Portugueses pagam hoje com um obscurantismo político degradante. Esta necessidade fundamental de informação não supõe forçosamente a distorção da realidade . A distorção só existe quando os actores da acção política pretendem ou mesmo exigem a criação dum consenso, do qual se sabe que ele exclui as intervenções justamente politicas. Toda a nossa história dos últimos 50 anos o demonstra.

Certos temas deste blogue fazem aparecer, ainda hoje, conflitos de opiniões que conduzem a uma partilha do sensível considerado como "natural" ou "necessário".

A consciência está sempre em atraso sobre a realidade. Os dominados são dominados na medida da sua ignorância da verdade.

Compete-nos de fazer confiança ao poder humano, na pesquisa de fórmulas politicas que convêm à nossa época, e que permitam de transformar o que existe. Porque o que existe provou suficientemente que não convém. As lutas corajosas de muitos fizeram-nos ganhar algo no passado. Foi o que se celebrou há dias. E que parecia impensável durante anos .

rmg disse...


Meu caro Senhor

Mais uma vez agradeço a sua resposta .

Não sei bem como o assunto todo veio acabar assim mas também não dou qualquer importância aos blogues e só tenho agora 3 nos favoritos.
A semana passada apaguei mais um que lá tinha , de derrota em derrota (dos blogues) até à vitória final (minha).

Mas como dou importância às pessoas , pois mesmo rapazes e raparigas da nossa idade já estão muitas vezes limitados nas suas actividades , apenas lhe quis dizer que eles são importantes para muita gente que não tem a sua nem a minha saúde e/ou bem-estar e não continua bem activa aí no dia-a-dia (ainda hoje almocei uma excelente dobrada bem regada de tinto e ainda melhor de 2 horas de conversa e fiz a digestão vindo a pé até casa noutras 2 horas de caminho com a visão primaveril sempre bemvinda de tantas mulheres e raparigas bonitas que existem em Portugal) .

Era só isso sobre os blogues , não me terei decerto explicado bem pois não me passa pela cabeça que , se o tivesse feito , não me tivesse compreendido .

De resto agradeço-lhe os seus votos , que retribuo em iguais moldes e para todos os tempos pois todos eles são bons de viver (*).


Melhores cumprimentos do

RuiMG

(*) Com o conjunto de problemas de saúde que neste momento existem à minha volta lhe garanto que não é uma figura de retórica da minha parte !