quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Saudades de Olrik

Blake & Mortimer voltam à ação, no "Serment des cinq lords", uma trepidante aventura onde os conhecidos personagens de Edgar P. Jacobs renascem, uma vez mais, pela mão de Yves Sente e André Juillard.

Para os muitos adeptos desta sempre infinda série de banda desenhada, que, como eu, a acompanham há décadas, pode dizer-se que este álbum se situa a um nível bastante razoável. A história é interessante e tem um ritmo vivo. Por vezes, o recorte estético de algumas personagens está abaixo do desejável. Devo dizer que o desenho de André Jouillard, nos cinco álbuns que elaborou, continua longe de me convencer.

Uma ausência irá desiludir alguns "habitués": o não aparecimento na ação do coronel Olrik, essa figura "do mal" que, qual Fénix, renasce sempre das cinzas das piores situações, mantendo como seus "queridos inimigos" o cientista Philip Mortimer e o seu inseparável comparsa sir Francis Blake, um aviador reconvertido ao MI5, onde, por misteriosas razões, nunca passou do "ranking" de capitão. Olrik - que curiosamente é coronel, nunca se soube bem onde - é um contraponto que dá graça à ação e que, espero bem!, deverá regressar um dia.

O trabalho de Edgar P. Jacobs iniciou-se em 1945. Ele foi responsável por 13 álbuns, alguns dos quais - como o "Mistério da Grande Pirâmide" ou "A marca amarela" - fazem parte do melhor que a consagrada escola belga da banda desenhada alguma vez produziu. Jacobs morreu em 1987 e, a partir de então, surgiram já nove novos álbuns, de desigual qualidade, assinados por diferentes autores.

Três notas ainda: Blake continua fiel ao vinho do Porto, Mortimer ao whisky e ambos ao cachimbo, fugindo saudavelmente ao antitabagismo "politicamente correto" que está a poluir por aí muita banda desenhada. Digo isto com a autoridade de quem nunca fumou... 

7 comentários:

Azinheira disse...

Embaixador, o senhor tem defeitos?

Francisco Seixas da Costa disse...

Cara Azinheira: Tenho, pelo menos, o de não conseguir entender o alcance da sua pergunta.

patricio branco disse...

na verdade porque seria que não o mereram na história?

Anónimo disse...

Obrigado Embaixador. Por aí me terá um dia, quando menos esperar.

a) Olrik (Brigadeiro)

Isabel Seixas disse...

É,!...,De facto expirar fumo, traduz per si uma imagem reflexiva como se o fumador nos permitisse fumar passivamente, em baforadas, os seus pensamentos...

ERA UMA VEZ disse...

de ERA UMA VEZ

De tanto que podia dizer sobre o Zeca aquilo que me comove mais é a memória da sua simplicidade.

Quando a doença teimava em avançar era frequente a presença dos amigos em Azeitão sobretudo ao fim de semana.
Foi numa tarde de Domingo que
passámos com os filhos ainda miúdos e ao vê-lo parámos o carro e o
fomos cumprimentar. Sabia-me sempre tão bem que ele soubesse o meu nome. Colados a mim os miúdos esperavam um olhar seu.

Então eu disse disfarçando a emoção:
Meus meninos este senhor é o Dr. José Afonso...

Ele deu uma gargalhada, acariciou-lhes a cabeça e corrigiu:
"A vossa mãe é tonta. Não sou nada disso. Sou só o ZECA"

O meu sogro dava-lhe injecções
diárias. A princípio receou a
entrada de um "esquerdista" em casa. Sol de pouca dura. Dias
depois ele entrava e ia direitinho ao fogão saber o que era a sopa. E ali ficavam os três a rir, a contar
anedotas e a almoçar juntos.

A sua voz,a sua música as suas
palavras e a sua mensagem arrastavam multidões mas a sua bondade e o seu despojamento só
alguns conheceram.

Sinto-me feliz por ter visto de perto esse Zeca e por saber que também em Paris voltou a ser celebrado.











Anónimo disse...

O Senhor Embaixador também acha que eu desapareci?

Septimus