terça-feira, 17 de março de 2009

Bandeiras do passado

A utilização da bandeira nacional portuguesa em tudo o que era janela ou varanda, durante o Euro 2004, representou uma saudável banalização do nosso símbolo nacional, uma espécie de apropriação popular de algo com que todos patrioticamente nos identificamos, mas com o qual vivíamos uma incompreensível cerimónia. Foi um movimento inédito em Portugal, curiosamente mobilizado por um brasileiro - e creio que nenhum outro estrangeiro, para além de um cidadão brasileiro, poderia ser "autorizado" a lembrar-nos o orgulho que devemos ter na nossa bandeira.

Mas Portugal tem sempre, infelizmente, um "outro lado". Hoje, vêem-se, em imensas casas do nosso país, bandeiras ainda desse tempo, rasgadas, desbotadas, esfiapadas, indignas de serem desfraldadas. Será preciso lançar um outro movimento nacional para as recolher?

E, de passagem, não se poderiam mandar retirar as placas "Expo 98", que ainda subsistem pela zona oriental de Lisboa? Com os diabos! Já lá vão mais de 10 anos...

Mas, neste involuntário culto passadista, fruto do luso descuido, quero deixar claro que não incluo o repintar de uma parede da minha rua, em Lisboa, onde subsiste, com subversivo romantismo, "Vota Octávio Pato"...

3 comentários:

Anónimo disse...

E o Homem depositou
As suas cinzas
Do Entusiasmo febril
No desfraldar rasgado
Da Bandeira Mutilada

Vítima de um fácies que corou
Do rescaldo... Réstias
De sonhos de um sonho servil
Num alvorecer embotado
Da vontade frustrada

Refém de Uma Verdade
Refém de uma Qualquer... Liberdade

Isabel Seixas

Anónimo disse...

Também eu, uma vez, indaguei junto de António Mega Ferreira a razão por que as placas da EXPO '98 ainda permaneciam. A resposta foi programática: custa dinheiro retirá-las e, assim, como assim, é um pedaço de informação de que nos orgulhamos como portugueses.

LPA

Francisco Seixas da Costa disse...

No caso do António Mega Ferreira, é compreensível que queira prolongar a memória de uma obra de que foi o principal inspirador e realizador.