segunda-feira, abril 05, 2010

Kohl

Helmut Kohl fez 80 anos. Está doente e afastado da vida pública do seu país, com a qual, diz-se, estará desencantado. Pode ser que seja só impressão minha, mas tenho a sensação que o mundo não faz suficiente justiça a este dirigente alemão que soube, no tempo certo e com a vontade necessária, tomar as decisões que a História aconselhava.

Devemos ao antigo chanceler uma visão europeia de grande alcance, alicerçada num interesse alemão que soube proteger, com vantagem para todos. A Europa que (ainda) temos deve muito à sua determinação.

Helmut Kohl foi um amigo de Portugal. Soube estar ao nosso lado em muitas das decisões europeias que nos foram importantes.

Coincidências

Novo ensaio de golpe de Estado na Guiné-Bissau; inauguração de uma dispendiosa estátua gigante no Senegal, comemorando o cinquentenário da independência do país; assassinato de Eugène Terreblanche, o antigo líder racista sul-africano.

domingo, abril 04, 2010

UEO

Quem conhecia a UEO - União da Europa Ocidental? Com tantas siglas a saltitarem pelas páginas dos jornais, poucos se terão apercebido da decisão, há dias tomada, de extinguir esta organização, criada ainda antes da NATO, no auge da Guerra Fria. Foi sempre uma aliança político-militar de raiz um tanto virtual, embora com um compromisso de solidariedade juridicamente ainda mais forte do que aquele que vincula os países da Aliança Atlântica, mas cujo destino e imagem foi sempre (e com razão) ofuscado por esta.

Por alguns anos, enquanto a organização estava sedeada em Londres, fui representante permanente adjunto de Portugal junto da UEO. Tempos mais tarde, estive, pelo nosso país, em várias das suas reuniões ministeriais, alimentadas então por um esforço de revitalização que, num tempo subsequente à queda do muro de Berlim, parecia querer transformar a organização num embrião de uma defesa europeia autónoma, uma espécie de "braço armado" da União Europeia. Certos Estados favoreciam manifestamente essa ideia, quanto mais não fosse para irem afirmando uma distância política face a Washington. A UEO dotou-se então de  algumas estruturas complementares e, por razões de oportunidade, algumas missões militares europeias de manutenção de paz chegaram a exibir o "label" da UEO. Um português, José Cutileiro, foi secretário-geral da organização. Entretanto, com a evolução registada no sentido do reforço de uma dimensão de segurança e defesa europeia próprias, que agora o Tratado de Lisboa consagra em definitivo,  acentuou-se a ideia de que a existência da UEO deixava de ter qualquer significado.

Há umas semanas, os britânicos decidiram anunciar a sua saída da UEO. Os restantes parceiros acabam de acordar em acompanhá-los na extinção da organização. Aqui entre nós, a UEO já tinha morrido há muito, só que ninguém disso se tinha dado conta. Fica agora feito o seu funeral. E, neste post, um seu breve obituário.

sábado, abril 03, 2010

Bélgica (2)

Para mim, Bruxelas foi sempre um simples destino de passagem. De todas as vezes, e foram algumas, em que se proporcionou ser lá colocado por alguns anos, esquivei-me e fiz outras opções de vida, nalguns casos nem eu sei bem porquê. Passei muitas centenas de horas a trabalhar fechado em salas "europeias" bruxelenses, às vezes com esses dias intervalados apenas por algumas escassas horas de sono. É talvez o insuportável cansaço desses "anos da Europa" que contribui para que, ainda hoje, não valorize suficientemente uma cidade onde sei que muitos desses meus amigos foram felizes e a vida parece ser bastante cómoda. E onde se come muito bem, como o "velho" Ogenblick uma vez mais acabou de comprovar.

Muito por conta dessas muitas visitas profissionais, fui um "frequent sleeper" em Bruxelas. Para além de casas de amigos, dormi por lá em 14 hotéis diferentes, segundo as minhas contas. E é de hotéis de Bruxelas que nasce esta história.

Nos anos 70, da primeira vez que fui em serviço a Bruxelas, levar a mala diplomática, fui recebido por essa figura típica para várias gerações diplomáticas portuguesas que era o motorista da nossa delegação junto da NATO, o sr. Rézo (escrever-se-á assim?). No caminho do aeroporto para a cidade, e para fazer conversa e "armar-me" um pouco, comentei a velocidade de 90 km permitida usando a palavra belga "nonante", em lugar de "quatre-vingt-dix", acrescentando, "como vocês dizem por aqui". O sr. Rézo olhou para mim, surpreendido e quase ofendido, e exclamou: "Mas eu não sou belga!". E logo adiantou um qualificativo muito pouco simpático para os locais. Explicou-me, então, que era francês, de Vallenciennes, e que fora forçado a ir viver para Bruxelas quando a NATO saiu de Paris. Pelos vistos, não apreciara nada a mudança.

O nosso homem tinha, manifestamente, um arranjo qualquer com o Hotel Albert I, na place Rogier (hoje transformado num luxuoso Hilton), onde colocava todos os "correios de gabinete" (nome técnico para os portadores da mala diplomática). Ao tempo, o hotel, que tinha ares de ter sido bom, estava num estado sinistro. No segundo dia, mudei-me e o sr. Rézo não gostou.

Da vez seguinte que fui a Bruxelas, alertei o sr. Rézo, logo à saída do aeroporto, de que havia reservado um quarto em outro hotel, aliás numa esquina quase em frente ao Albert I. Vi que ficou furioso com a suspensão do arranjinho, talvez temendo que o meu exemplo frutificasse noutros colegas, afetando a sua comissão. Para distender a conversa, acabei por perguntar-lhe o que achava do hotel que eu escolhera. Foi seco e claro: "Pas mal pour un bordel...". Vá lá, não era.

sexta-feira, abril 02, 2010

Bélgica (1)

Atento o clima da Bélgica, percebe-se melhor o fascínio de René Magritte pelos céus azuis com nuvens breves, de tom quase "naif", que aparecem em muitos dos seus quadros.

Magritte tem, desde há meses, um magnífico museu em Bruxelas. Não estão lá algumas das suas obras-primas, mas o espaço, para além da apreciável coleção reunida, é um repositório interessantíssimo da biografia do pintor, trabalhada em paralelo com a sua "ínclita geração" surrealista.

quinta-feira, abril 01, 2010

Telefones

Sou de um tempo diplomático em que um embaixador ia de férias e se desligava totalmente da Embaixada, ficando esta 100% a cargo do chamado "encarregado de negócios". Tive embaixadores quase "inapanháveis" durante as suas férias.

(Já agora, se acaso virem escritas as letras "a.i." a seguir à expressão 'encarregado de negócios', fiquem a saber que significam "ad interim", para sublinhar que se trata de uma substituição temporária, para os distinguir dos 'encarregados de negócios' 'en pied' ou 'com cartas de gabinete', que asseguram a chefia dos postos diplomáticos nos quais não há embaixador nomeado).

Hoje em dia, sendo os seus números de telemóvel conhecidos de meio mundo, e sem prejuízo da esmagadora maioria do trabalho recair, nas férias, sobre os seus substitutos, pode dizer-se que os embaixadores como que estão ao serviço 365 dias por ano. Se um membro do governo ou um empresário pretende alguma coisa de um embaixador, é-lhe irrelevante se ele está de férias ou ao serviço, apanha-o quando necessário, na praia ou no campo, no país ou no estrangeiro. Verdade seja que isto ocorre em várias outras profissões mas, no nosso caso, conheço circunstâncias em que isso chegou a afetar a cadeia formal de responsabilidades dentro de Embaixadas, perante a respetiva capital. De facto, nesses casos, quem está a chefiar a Embaixada?

Lembram-se, com certeza, desses gloriosos tempos em que, quando os telemóveis não atendiam, se podia facilmente argumentar que estávamos "sem rede", em zonas do Portugal profundo ou num estrangeiro remoto. Como a plausibilidade dessa desculpa é hoje muito reduzida, o mais que se pode dizer é que ser diplomata se transformou numa profissão... sem rede! Mas, que fique claro!, não me estou a queixar.   

quarta-feira, março 31, 2010

Augusto Maria de Saa

Foi já há cinco anos, contados dias por dia, mas parece que foi ontem. Uma emissão simultânea do programa Ritornello, da RDP2, com a Rádio Cultura, de Brasília, levou ao mundo um conjunto de testemunhos sobre essa figura ímpar da cultura luso-brasileira que deu pelo nome de Augusto Maria de Saa. 

Mobilizada a emissão pelo (afinal não confirmado) boato de que a Pléiade, da Gallimard, se preparava para editar, em papel bíblia, as obras completas de Saa, quando nem Portugal nem o Brasil haviam tido esse cuidado, na Lello ou na Aguilar, várias personalidades escalpelizaram então aspetos da personalidade desse prolífico escritor, de quem foram lidos poemas, recordados episódios e de cujos descendentes, na Rondônia, foram colhidas tocantes memórias.

A Augusto Maria de Saa, cuja morte trágica no cenário do regicídio de 1908 é desconhecida para muitos, é atribuída uma das melhores definições do destino luso-brasileiro: "Brasil e Portugal acabam por ser um verdadeiro enigma da geometria. Trilhando historicamente dois caminhos paralelos, esses caminhos acabam regularmente por se cruzar".

Torna-se muito difícil, no espaço modesto de um post, dizer algo que, ainda que remotamente, possa sintetizar a importância da obra que ocupa o labor do prestigiado Centro de Estudos Saaianos, em Taguatinga, hoje sob a douta direção do professor Romário Ibarapuera. Por isso, permito-me encaminhar os leitores interessados para um breve blogue, criado à época, onde poderão colher outros dados complementares: Memória de Saa.

Ah! convém que se diga: a emissão foi no 1º de Abril de 2005.

terça-feira, março 30, 2010

"Le Monde"

Os brasileiros diriam que foi uma "renovada" aquilo que o "Le Monde" ontem tentou fazer ao seu "layout". Mais fotografias e novas secções. Com toda a franqueza, não me parece o jornal tenha ganho muito com a mudança, mas não excluo que esta seja apenas uma mera reação conservadora de quem ainda sente saudades dos pequenos "billets" de Robert Escarpit  (quem se lembra deles?) e da bela austeridade da "mancha" clássica, que só teve um émulo no "Wall Street Journal". Porém, o que mais preocupa quem há muito lê e gosta do "Monde", como é o meu caso, é a notória falta de "golpe de asa" que cada vez mais transparece na construção do diário, ao que se diz fruto de dificuldades financeiras que limitam os correspondentes.

segunda-feira, março 29, 2010

Livros

É um prazer passear pelo Salon du Livre, que nestes dias tem lugar aqui em Paris, olhar as edições cada vez mais bem construídas e apelativas, ficar com aquela sensação angustiante de que há um mundo inatingível, constituído por tudo aquilo que gostaríamos de ter tempo para ler - e nunca teremos. No domingo, ao percorrer as centenas de bancadas e estantes, com uma imensidão de títulos, uns apetecíveis outros indiferentes, senti-me como o Jacinto, naquela noite no 202 dos Champs Elysées, quando, esmagado pela incomensurável sabedoria reunida na sua biblioteca, tomado do embaraço da escolha, acabou, num enfado, por descortinar num canto um velho e datado exemplar do "Diário de Notícias", levando-o como derradeira leitura de cabeceira. É que dei por mim, ao fim de várias horas de folheanço, a apenas comprar um pequeno livro da sempre magnífica "Que sais-je?"...

Ontem, António Lobo Antunes e Jean d'Ormesson dialogaram no espaço principal de debate do Salon du Livre. Com muita pena minha, não pude assistir. Dizem-me que a intervenção do escritor português foi fascinante.

Europa

Para quem se interessa pelo futuro europeu, para quem quer ter um olhar realista sobre os caminhos possíveis na coordenação das políticas económicas europeias, recomendo o artigo que Maria João Rodrigues publica hoje no "Le Figaro", infelizmente não disponível para acesso.

Trata-se de um texto que reflete a aprendizagem das lições da aplicação da Estratégia de Lisboa, dela partindo para a necessidade de deverem ser tidas em conta outras realidades que, há uma década, não eram tão evidentes: "A concorrência internacional intensificou-se com a aparição de novos atores mundiais. a tendência para o envelhecimento é muito mais profunda, a mudança climática exige um outro modo de vida e estamos ainda a digerir uma crise financeira, económica e social sem precedentes".

A antiga ministra portuguesa aponta respostas novas que devem ser consideradas, para além de um quadro em que o crescimento seja o objetivo central: "Temos de nos voltar para um crescimento mais verde, mais inteligente e que favoreça a coesão social. A inovação para o desenvolvimento durável é agora a vantagem comparativa que a Europa deveria forjar".

Este artigo é tanto mais importante quanto se sabe que, no último Conselho Europeu, algumas das propostas da Comissão Europeia para a nova "estratégia" Europa 2020 sofreram grandes resistências, pelo seu caráter constrangente. Talvez assim se percebam melhor os obstáculos de percurso por que passou a Estratégia de Lisboa.

domingo, março 28, 2010

Pavão

Aquele embaixador era conhecido por ser uma figura um tanto bizarra. Isso também se refletia na decoração, bem eclética, que espalhava por toda a sua residência oficial. A avaliar pela diversidade das peças, fruto de andanças por vários mundos, o nosso representante diplomático era um colecionador de recordações, muitas das quais de gosto muito mais do que discutível. O facto de ser solteiro, de não ter a seu lado uma sensibilidade feminina que o ajudasse a equilibrar o conjunto, resultava em óbvias e não felizes consequências no aspeto decorativo das suas salas.

Se havia um ponto dessa mesma decoração que se salientava como mais chocante esse era, sem dúvida, o colorido pavão, de "papier maché", adquirido no México, que ocupava um lugar central no salão de entrada, num pedestal colocado sobre um horrível tapete retangular, de cor bem forte e sentido estético bem fraco.

Um dia, o ministro-conselheiro, um tanto a medo, atreveu-se a dizer ao embaixador que, porventura, a colocação do pavão talvez fosse demasiado impositiva para o equilíbrio estético do salão. E adiantou, como sugestão, que podia ser interessante colocá-lo num canto da sala, num lugar mais discreto.

A resposta do embaixador desarmou-o: "Ó homem, você não percebe a razão por que tenho aqui o pavão? Eu sei que as pessoas podem sentir-se um pouco surpreendidas com esta peça, mas ela tem um função muito importante. Quando tenho um almoço ou um jantar, à medida que os convidados chegam, é sempre preciso encontrar um tópico para iniciar a conversa. Ora nada melhor do que este pavão para servir como "point for talk". Nem você imagina a quantidade de pessoas que, olhando para o pavão, começam logo a inquirir onde o comprei, de que é feito, etc. Ora isto é precioso: garantir um tema de arranque de uma conversa é muito importante, o que evita logo falar do clima, do tráfego ou outros temas artificiais de circunstância. E, do pavão, podemos logo passar às questões de arte, de geografia ou dos costumes. O pavão dá-me imenso jeito!".

O ministro-conselheiro ficou rendido ao argumento e mais valorou a "tática" do seu chefe quando este adiantou, com subtil e auto-flagelatória ironia: "E fique você a saber que não me preocupo nada pelo facto de algumas pessoas poderem, no seu regresso a Lisboa, falar do "pavão" do nosso embaixador..."

Irène

Há muitos anos que a Irène fazia parte da paisagem do "Café de Flore", ali no boulevard Saint-Germain. Do seu posto de comando, onde são emitidas "las dolorosas", escrutinava com os seus belos olhos bem azuis toda a sala e, não raramente, espalhava raspanetes para orientar o serviço.

Durante anos, ao passar turisticamente por Paris, via por lá a Irène, sempre elegante, de cabelo à "garçonne", mas nem lhe sabia o nome. Neste último ano, através de amigos comuns, ela passou a ser o nosso primeiro contacto, nas passagens regulares pelo "Flore". Procurava-nos as melhores mesas, dava notícias da passagem de conhecidos. Até ontem.

Ontem, a Irène fez a sua última noite de trabalho. Há meses que nos falava desta data. Vai reformar-se, gozar "a vida que resta". Parecia triste. Sem nostalgias mas com grande simpatia, fomos dizer-lhe adeus. E não fomos os únicos.

Águias

Os meus correlegionários futebolísticos devem achar que, no fundo, não sou um verdadeiro sportinguista. E isso pelo facto de, não me regozijando pela mais do que provável vitória do Benfica no campeonato português, não poder deixar de considerar que, de certo modo, ela acaba por contribuir para animar o nosso futebol, trazendo este ano à ribalta o clube que mais adeptos parece contar entre nós. 

Essa é a razão que torna este sucesso do Benfica em algo a assinalar: nos tempos que correm, haver alguma coisa que faça com que mais de metade da população portuguesa se sinta feliz é obra! É só por aí, confesso, que me sinto "benfiquista"...  

Em tempo: para que não haja dúvidas, aqui e aqui têm os meus únicos hinos clubísticos. 

sábado, março 27, 2010

Reizinho(s)

Por uma qualquer razão lisboeta de ocasião, apetece-me hoje deixar aqui a imagem - que alguns já não recordarão - do Reizinho, essa figura dos "comics" com que algumas gerações muito se divertiram.

Ora aqui está uma personagem digna dos sonhos dos bobos da inexistente corte que por aí hasteiam, sob a coragem da noite, a sua patética nostalgia.

sexta-feira, março 26, 2010

Egipto

E, uma vez mais, saio do Egipto sem me cruzar com o professor Grossgrabenstein, esse personagem de "O Mistério da Grande Pirâmide" que Edgar P. Jacobs seguramente criou pela memória futura do meu amigo Caetano da Cunha Reis (se procurarem, encontrarão a sua foto na última fila dos seguidores).

Já agora, se tiverem oportunidade, não percam aquela obra prima da escola belga da banda desenhada.

quinta-feira, março 25, 2010

Carminho

Tinha visto um "video-clip" da autoria do cineasta João Botelho (que é feito de ti, João?) que me chamou a atenção para a sua voz.

Há dias, comprei o seu disco, chamado simplesmente Fado. Fiquei "cliente". Carminho é já uma certeza dentro deste grupo de novos intérpretes do fado. Ouçam o seu "Escrevi teu nome no vento".

Ah! soube que a Carminho (também) é cliente do "Procópio", o que, além do mais, prova que tem bom gosto.

Ainda futebol

Nem Figo nem Ronaldo, nem mesmo Deco, de que muitos também falam, conseguem suplantar o prestigio de que disfruta no Egipto a figura do treinador português Manuel José. 

O Al-ahly - clube que, com o Zamalek, divide os adeptos egípcios - deve-lhe uma imensidão de vitórias, incluindo campeonatos africanos. 

Quando por aqui digo que sou português, a reação invariável é: "Manuel José!".

Quem diria?!

quarta-feira, março 24, 2010

Diplomacia pública

Há dias, a imprensa deu conta da decisão do governo israelita de promover grandes ações internacionais de "diplomacia pública", com vista a contrariar a imagem, que considerava distorcida, que o país usufruía nos media internacionais. 

A este propósito, lembrei-me de uma (vá lá! ousada e pouco disciplinada) atitude que tive, nos anos 90, quando desempenhava funções de encarregado de negócios, na nossa Embaixada em Londres.

Na televisão britânica, tinha passado um filme sobre o trabalho infantil em Portugal, na área do têxtil. Era um retrato infelizmente então muito verdadeiro, espelho de pobreza, de alguma complacência oficial e de falta de empenhamento das estruturas empresariais do setor. Porque os britânicos eram nossos concorrentes no mercado de certos produtos têxteis, havia uma fundada suspeita de que, na origem da promoção do filme, pudessem estar interesses da indústria britânica, o que provavelmente seria verdade.

Do meu Ministério, de Lisboa, recebi uma pergunta: o que é que eu achava que poderíamos ou deveríamos fazer para atenuar o efeito negativo do filme na imagem do nosso país? Que tipo de reação seria mais adequada?

Numa atitude que, por pouco, me não valeu uma reprimenda disciplinar, tive o topete de sugerir, por via oficial, que, sendo irreversível o efeito da imagem entretanto criada, era minha opinião que a melhor forma de evitar, futuramente, a exploração mediática do trabalho infantil em Portugal era... acabar com o trabalho infantil.

A verdade é que, nos dias que correm, com uma ação repressiva e de formação muito eficaz, envolvendo as associações profissionais e o setor educativo, Portugal deu passos gigantes nesta área, diminuindo radicalmente os casos de trabalho de crianças e adolescentes - que eram correntes no têxtil, no calçado e nas obras públicas. Nem tudo está feito, mas imenso se tem conseguido avançar neste domínio, para honra do nosso país, como é internacionalmente reconhecido.

Deixo aqui a nota da "impaciência", quiçá intempestiva, do nosso então diplomata londrino...

Ode Marítima

É excelente e de grande elegância gráfica a edição francesa da "Ode Marítima", de Fernando Pessoa, apresentada pelas Editions La Différence, que agora nos chegou.

Falámos aqui, há dias, da "Vie et Oeuvre d'Eça de Queiroz", de A. Campos Matos, também das Editions La Différence. Devemos a esta editora, sob a atenta direção de Joaquim Vital, o surgimento em França de algumas obras essenciais da literatura portuguesa.

E, já agora, vale a pena notar o fantástico sucesso que teve, este mês, em Paris, a apresentação da "Ode Marítima", no Theâtre de la Ville, uma casa sob a direção do franco-português Emmanuel Demarcy-Mota.

terça-feira, março 23, 2010

Palavras

No bar do "Marriot" do Cairo, ontem, um companheiro de viagem estranhou o meu interesse ao ver-me debruçado sobre as páginas do classico "Al-ahram", comentando:

- Nao me tinhas dito que sabias arabe !?"

Não resisti e respondi, com modestia: "Sei muito pouco de arabe. Estava apenas a tentar fazer as palavras cruzadas..."

ps - Nao, nao e o Acordo Ortografico. E apenas a falta de acentos por aqui.

Feiras & vaidades

Há dois anos, quando publiquei “Antes que me Esqueça”, sugeriram-me que, na feira do livro seguinte, lá estivesse umas horas, num dia a defi...