Anda por aí um mito em torno da necessidade de desistência de algum dos candidatos da esquerda, antes da primeira volta, para evitar uma vitória da direita pura e dura na segunda volta das presidenciais.
O "povo de esquerda" (o conceito foi criado por António Barreto, há 40 anos) sabe muito bem o que quer e não precisa de indicações de voto.
Por isso, não está à espera de desistências: digam os seus candidatos o que disserem, o "povo de esquerda" - e com ele muitos social-democratas que temem ver o país social em risco - já parece ter percebido que, se quer evitar vir a ter em Belém, por muitos e maus anos, alguém oriundo de uma direita perigosa e imprevisível - populista, radical ou autoritária -, tem simplesmente de votar Seguro. Logo na primeira volta, claro.

Sinceramente, pasmo como se pode considerar Seguro como um candidato de esquerda, ou que a esquerda deveria apoiar para evitar os tais males invocados. Seguro, bem vistas as coisas, é o melhor candidato para Montenegro. Se, por um azar dos Cabrais, vier a ser eleito, portar-se-á como um cordeiro de S. Bento, a pensar na reeleição daqui a 5 anos. Não fará ondas, não criará problemas ao Governo e de quando em vez lá fará uma ou outra declaração redondinha para mostrar que Belém existe. A sua posição sobre os acontecimentos na Venezuela definiram bem a criatura. Evitou criticar e invocar a grosseira violação do Direito Internacional e da Carta das NU e optou por falar da Comunidade Portuguesa que ali vive (e que se está aliás nas tintas para ele). O Tó Zé é um político, ou candidato, Pudim Flã, daquelas escolhas que se fazem em final de repasto porque não apetece mais nada. Os candidatos de esquerda, embora todos somados pouco mais valham do que 5%, fazem bem em não ir na música de acordeão do Tó Zé. E é tão entusiasmante que não conseguiu convencer uma parte dos militantes e dirigentes do PS. Quem o topava bem era o Costa (hoje a servir de tapete da inqualificável Ursula von der Leyn). Convenhamos que, em boa verdade, o restante Menu de candidatos não entusiasma um morto, quanto mais um vivo.
ResponderEliminarEm resumo, o Seguro que se amanhe. O meu voto, seguramente, não terá. Pondero aliás ir dar um saudável passeio pelo Rectângulo à beira mar plantado a fim de espairecer e no dia seguinte, preguiçosamente ler o resultado eleitoral, numa dessas folhas de imprensa on-line.
a) P. Rufino
Nunca consegui perceber a abordagem daqueles que acham que perante a adversidade a resposta é "quanto pior melhor".
EliminarPois é, Francisco, mas esse "povo da esquerda" não vai votar em Seguro proque o cola à tróica e a Passos Coelho. Eles lá sabem... Mas mesmo assim, penso que Seguro tem muitas hipóteses de ganhar a eleição. Até muito "povo de direita" irá voltar nele, creio.
ResponderEliminarEste post não aceita comentários. O assunto é demasiado sério para andarmos por aqui com bitaites. Falamos no dia 19.
ResponderEliminar