quinta-feira, janeiro 15, 2026

A alma dos moedeiros


Não esperava emocionar-me numa sessão sobre cunhagem de moedas. Mas foi exactamente isso que aconteceu.

No final da tarde de hoje, estive na biblioteca da Imprensa Nacional - Casa da Moeda, movido pela curiosidade da apresentação de um número de uma revista da casa. O que poderia ter sido apenas mais uma sessão institucional transformou-se em algo completamente diferente.

Parte importante da apresentação foi dedicada a recordar o lançamento das moedas do euro, a partir de 2004. 

E foi então que a algo aconteceu. Dois especialistas das oficinas da casa — um deles já aposentado — tomaram a palavra. Com simplicidade, rigor e um entusiasmo genuíno, eles transformaram aquilo que ameaçava ser uma burocrática evocação de rotinas de trabalho numa verdadeira jornada sentimental. Para eles, aquele projeto não tinha sido apenas um trabalho: tinha sido uma aventura que lhes marcou as vidas. Ali, perante todos nós, fizeram um “filme” fascinante desses dias únicos.

A certo ponto, um dos “moedeiros” — conceito que só então conheci — comoveu-se visivelmente ao evocar a sua gente, as suas equipas, aqueles que com ele trabalharam. A necessidade de treinar gente para o futuro dessas tarefas. 

Não foi apenas uma demonstração de profundo profissionalismo. Foi a revelação de uma ligação emocional à casa a que orgulhosamente pertencia, às pessoas com quem tinha partilhado anos intensos, ao verdadeiro sentido de missão que a sua tarefa constituía. Acho que todos ficámos tocados por esse momento de verdade.

Foi um final de tarde que, apesar da chuva persistente lá fora, me ajudou a ganhar um belo dia.​​​​​​​​​​​​​​​​

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