Há não muitas semanas, na noite hiper-neonizada da Times Square, em Nova Iorque, olhei a montra de uma loja que vendia já não sei o quê e em que o esquema era o mesmo: "últimos dias", "liquidação total" ou coisas assim. Ainda ironizei intimamente que talvez fosse uma metáfora sobre os tempos de Trump. Mas não, eram uma bugigangas quaisquer, provavelmente eletrónicas.
E foi então que, naquele que, para muitos, é o centro do mundo das sociedades em que o mercado é o rei e senhor, onde os números do Nasdaq há muito substituiram o cowboy fumegante do Camel, me veio à memória um outro dia, por ali mesmo, em dezembro de 1972.
Eu tinha ido de Lisboa num viagem de grupo. A guia, uma mulher de idade (este conceito é mutante: a senhora devia ser bem mais nova do que eu sou hoje...), que falava um português macarrónico, antes de abrir a porta do autocarro que nos despejaria em Times Square, disse uma coisa que nunca mais esqueci: "Não se deixem impressionar pelos anúncios em casas que estão em "liquidação total", em "últimos dias" de atividade. Algumas dessas casas já as conheço em "últimos dias" há mais de 20 anos..."

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