domingo, janeiro 18, 2026

"Osteria"


Há já bastantes anos que a antiga "Mercearia" perdeu esse nome (que permanece num azulejo) e se chama "Osteria", com uma ementa italiana acompanhada da indicação irritante de que é "para partilhar" - uma cultura de estar à mesa que, definitivamente, nunca será a minha. 

A qualidade é satisfatória, com o preço condizente. A comodidade não é muita, o serviço é atencioso mas, atenção!, não há Multibanco.

Vai para 36 anos, "fechei" a antiga "Mercearia" para convidar amigos, na minha despedida antes de ir para Londres. 

Neste almoço, em dia de eleições, não pude deixar de lembrar-me do meu amigo António Oliveira, criador da "Mercearia", da efémera "Carvoaria" e, essencialmente, da clássica "Varina da Madragoa" - que hoje estava de férias. Por algum tempo, foi o "triângulo do Oliveira", então desafiado, um pouco mais acima, pelas "belgas" Vivianne e Sofia, na magnífica "Travessa". 

Naquele outro tempo dos anos 70 e 80, em que a cidade era muito diferente, passava por essa Madragoa uma certa Lisboa política, intelectual e jovem - quando os jovens éramos nós... 

Às vezes apareciam por ali, despernados, uns estrangeiros com um guia na mão, a achar que tinham descoberto uma raridade só para iniciados. E lá tínhamos que lhes explicar, em "franciú", o que eram os "grenadinos de vitela" do Oliveira, servidos pelo amigo Veiga.

Embora me fique a "walking distance", embora com algum esforço, em regra vou pouco por ali. Contudo, na noite de Santo António, continuo a "alugar" a rua das Madres, em frente à "Varina", para uma grande mesa de amigos, com sardinhas e febras, tudo bem regado.

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