quarta-feira, janeiro 14, 2026

Alguém sabe?

É uma sensação muito estranha constatar, mais de meio século depois do 25 de Abril, que um em cada quatro portugueses considera que o país ficaria bem servido se André Ventura fosse eleito presidente da República. Porque a culpa não é deles, pergunto-me onde é que falhámos.

19 comentários:

  1. João Cabral01:34

    Basta olhar para o estado da saúde, dos salários, da justiça, da educação, 50 anos depois. E já nem falo da corrupção ou da sua percepção. Não é uma explicação muito difícil, Francisco.

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  2. Não foi o país que falhou. Foi o surgimento das redes sociais. Como é que é que possivel os americanos elegerem duas vezes um vendedor de banha da cobra, totalmente amoral? Ou surgir um partido neoliberal em Portugal, precisamente depois do maior crash do nosso tempo.

    Por mais injusta que a Ordem economica neoliberal seja e é, muita gente perdeu a capacidade de perceber a realidade e de relacionar os factos. Perceber o que é real e o que não é real. O Jornalismo costumava desempenhar essa função. Destrinçar o que é real do que não é real. Por mais elementar, era de sobeja importancia.

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  3. Democracia é escolha! Não é a nossa opinião que conta é a soma de votos. A manada que ganhar governa e quatro anos depois há novas eleições e que o trabalho feito vai ser avaliado. Mais nada!
    Só será problema se quem está no poder não acatar essas regras.

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  4. Anónimo11:06

    Não é um em cada quatro portugueses. É um em cada quatro portugueses habilitados a votar e que o pretenda fazer.

    Em 2021 havia 10.864.327 inscritos.
    Votaram na segunda volta 4.262.672 votantes (39,24% dos inscritos).
    MRS teve 2.534.745 votos, ou seja, só cerca de 23% da população habilitada a votar é que votou nele.
    (impressionante, não é?)

    FONTE: SGMAI

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  5. Anónimo17:59

    Em 1976, um em cada quatro portugueses votaram em Otávio Pato e Otelo Saraiva de Carvalho. Isso não lhe causou estranheza? Em cada momento, há cerca de um quarto dos portugueses que não se reconhecem nos ideais prevalencentes na sociedade. Às vezes, à esquerda, às vezes, à direita, geralmente distribuindo-se por ambos os lados. Não é falha de ninguém, é a necessidade humana de revolta, de mudança, ... Quando o consenso se inclina para a direita, a revolta surge à esquerda, quando se inclina para a esquerda, inevitavelmente surge à direita. É onde estamos agora.

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  6. Anónimo19:06

    Pode ter-se dado o caso de a "democracia burguesa" ter prometido mais do que podia concretizar enquanto se afanava a tratar dos seus interesses corporativos .

    MRocha

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  7. Caro senhor embaixador, permita-me que discorde: são um em quatro daqueles que reconhecem o regime e tencionam votar; mas esses, historicamente, são só metade do total (os outros aguardam pacientemente que a democracia caia de podre); os referidos apoiantes não serão portanto mais de um em cada oito. Já agora, sob a mesma perspectiva, o actual presidente Marcelo foi eleito por menos de um quarto dos portugueses. Mas mesmo parecendo muitos, não servem para nada: mais valem poucos, mas bons; não foi a coisa proclamada por uma excursão organizada em Santarém, com mais uma dúzia de Alpiarça e Pernes? A maioria continua silenciosa...

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  8. Será que Cotrim pensa, de fato, que daria um bom Presidente da República??

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    1. Anónimo15:26

      De fato, de blusão e de pijama, calculo. E, de facto, também.

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    2. João Cabral23:57

      Desde que o confuso AO foi aplicado, o número de alfaiates disparou neste país.

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    3. Anónimo20:08

      O AO nunca foi confuso na questão do "fato" e do "contato". Quem criou a confusão foram os anti-AO que, desde o primeiro momento, apostaram na mentira e, claro, a natural propensão para o disparate da nossa população.

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  9. O fenómeno não é exclusivo de Portugal. As direitas muito à direita e as extremas-direitas crescem em todo o mundo ocidental, graças à "desinformação" (eufemismo para mentiras) aos bots, aos algoritmos das redes sociais.

    Nada do que atualmente vivemos seria possível há 20 anos atrás, num tempo em que a informação era mediada.
    Sem mediação, sem EDIÇÃO, cada um é livre para inventar, mentir, manipular.

    As pessoas menos diferenciadas das gerações mais antigas e, agora, os mais jovens são as maiores presas desta maquinaria da mentira e deturpação, pois são os que mais recorrem às redes sociais para se informar.

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  10. Não falharam em nada.
    O facto é que muitas pessoas gostam de Ventura, não porque ele queira instalar em Portugal um regime parecido com o que vigorava antes do 25 de Abril, mas porque essas pessoas não gostam de ciganos ou de indianos.
    Ainda no outro dia vi uma pessoa que disse a quem a queria ouvir que votava no CHEGA, e explicou que assim fazia porque o restaurante de que é proprietária volta-e-meia é "invadido" por uns tantos ciganos (porque perto do restaurante se situa um hospital, ao qual os ciganos têm que ir) que lhe deixam o restaurante desarrumado e sujo.

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  11. É uma reflexão profunda e inquietante.
    Essa sensação de "falha" no projecto democrático é partilhada por diversos sectores da sociedade que vêem na ascensão do populismo de direita um sinal de que as promessas de Abril – Saúde, Educação, Habitação e Justiça – não chegaram a todos.
    Para analisarmos "onde falhámos", é preciso olhar para além da figura de AV e focarmos nas causas estruturais que alimentam este fenómeno e que resultam, na minha modesta opinião, de uma diversidade de factores:
    O desgaste das Instituições: Após décadas de governação alternada entre os partidos tradicionais (PS e PSD) uma parte considerável da população sente que a "classe política" se tornou uma elite distante, mais preocupada com a manutenção do poder do que com os problemas do quotidiano dos portugueses.
    A esquerda social-democrata e o centro-direita moderado perderam a capacidade de governar para as pessoas comuns, facilitando a deriva destas para a direita radical.
    A crise das expectativas: O 25 de Abril prometeu um elevador social que, para muitos, não se deu, ou seja, verificou-se uma diminuição da mobilidade social em que o sistema social não permite a ascensão económica e de estatuto das pessoas originárias de contextos sociais mais baixos ou das novas gerações que sentem que viverão pior que os pais. Nestes casos, a revolta substitui a esperança e a tendência para o voto em partidos populistas acentua-se;
    A percepção da corrupção: a percepção da corrupção em Portugal atingiu o pior registo de sempre no Índice de Percepção da Corrupção 2024 da Transparência Internacional, caindo para o 43º lugar, abaixo da média europeia, com mais de 90% dos portugueses a considerarem a corrupção um problema relevante, criando uma narrativa de que “todos os políticos e altas figuras do Estado são corruptos” que o populismo explora com maestria;
    A "fadiga" da Democracia: Para quem nasceu depois de Abril de 1974, a liberdade é um dado adquirido, não uma conquista. Sem a memória viva da ditadura, o apelo a soluções autocráticas ou cesaristas parecem mais eficazes.
    Quando as pessoas sentem que não são representadas pelo sistema, procuram quem prometa, ainda que demagogicamente, alterar o sistema mediante soluções disruptivas.

    A Democracia tem, no entanto, a característica única de ser um sistema que permite o seu próprio questionamento.
    O facto de 20% dos portugueses verem em AV uma alternativa é um diagnóstico de saúde do regime democrático em que a questão principal que se lhe coloca é a de como renovar o contrato social de 1974, com melhores políticas públicas, para que ele volte a fazer sentido para todos aqueles que hoje se sentem excluídos.

    E, por isso, é muito importante, impedir desde logo que no próximo domingo, AV passe à segunda volta das presidenciais.
    Eu, depois de alguma indecisão de entre os canditados democráticos, vou votar Seguro.











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  12. Paulo V15:25

    Realmente, cada vez que visito a Áustria, Alemanha, Bélgica, Noruega, Dinamarca e Suécia, regresso a Portugal com uma enorme sensação de revolta. O custo de vida nesses países é igual ou mais baixo do que cá (falo em custo de uma refeição em restaurante, bens de supermercado, transportes, roupa, preço das casas...) é muito raro encontrar algum bem ou serviço "estúpidamente" caro. Os desvios são no máximo o dobro do preço em Portugal. E nem sequer falo nas médias salariais, preço dos carros.... Após a adesão à CEE, só nos afastámos da Europa. E agora nem o SNS nos dá orgulho. Só lá vamos com uma nova revolução. Somos o Bangladesh da Europa. Temos os políticos que merecemos.

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    1. Anónimo20:58

      Na Bélgica, qualquer prato principal numa refeição num restaurante custa, pelo menos, €24. Não, não é o mesmo que cá!

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    2. Paulo V15:47

      Caro Anónimo, há imensos anos que não almoça na Baixa de Lisboa, não......?

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    3. Anónimo19:41

      Eu diria que a maioria da população nacional há imensos anos que não almoça na Baixa de Lisboa. Contudo, já almocei por quase toda a Bélgica.

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    4. Anónimo19:42

      E, já agora, custa-me muito a crer que, mesmo na fantástica Baixa de Lisboa, um prato (!!!) custe pelo menos €24.

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