Num site onde se acolhe, como numa trincheira, uma certa direita, uma papisa dessa mesma direita detalha-nos, com tocante minúcia, a profunda infelicidade que a atravessa. Estivéssemos mais próximos do Natal e dar-me-ia uma de generosidade, que me faria verter uma lágrima, feita de aletria e bolinhas coloridas para o pinheiro, de solidariedade com a apagada e vil tristeza desse setor da estimável ala conservadora lusa, que nos dias de hoje geme a sua imensa distância do poder. Para esta depressão sazonal são elencados, naquele texto sentido que me calou bem fundo, quantos "se passaram" para o outro lado. Com nomes, que isto é como as listas do MUD, é tudo para memória futura: Marcelo, claro, à cabeça, nas ironias desencantadas dessa direita que não cai em vénias, mas também Carlos Moedas e Frasquilho. Todos os que, entretanto e aos seus olhos, se bandearam, por culposa complacência, com a Geringonça, tolerando-a ou, de qualquer outra forma, legitimando-a. Mas eles que se ponham a pau: ficam "à marca", como se diz nas contas no bilhar. Até ao juízo final, onde serão julgados pela falta de juízo que tiveram. Neste Natal, "ajudada" pelas sondagens da Católica (até tu!) de hoje, essa direita vai ter uma ceia diferente. Do bacalhau vai notar as espinhas, no bolo-rei sair-lhe-á a fava e, nas sobremesas, só terão sonhos. É assim como uma espécie de Natal dos hospitais. Dias tristes, enfim. Coitados.