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terça-feira, novembro 29, 2016

Um "case study"


A Universidade de Genebra não renovou o contrato com Durão Barroso. A Universidade disse que essa renovação não estaria prevista, mas um conjunto de reações ao vínculo de Barroso à Goldman Sachs fazem presumir que terá havido uma motivação extra-académica para essa decisão. Uma dessas reações, e das mais violentas, foi de uma personalidade cuja atitude, estou certo, magoou muito Durão Barroso. Trata-se de Dusan Sidjanski, que havia sido seu professor em Genebra e com quem, ao longo dos anos, manteve uma relação forte. Em 1995, Barroso prefaciou um livro interessante (se bem que pouco premonitório) de Sidjanski, intitulado "O futuro federalista da Europa". 

Confesso que me impressiona  - e procuro entender, como simples exercício de exegese da vida - a forma como Durão Barroso conseguiu, e continua a conseguir, mobilizar contra si um tão amplo espetro de acrimónia e falta de simpatia. Muitos culpam disso a sua personalidade, a sua alegada frieza, uma possível atitude taticista perante a vida, a projeção de uma imagem de quem não acredita em nada, ou só em pouca coisa, deixando-se levar pelo vento dominante, o que lhe faz perder progressivamente o respeito de muitos. Não faço ideia se este "retrato" é real, só sei que ele é hoje, incontestavelmente, um "mal amado" por grande parte do país e que, lá fora, está muito longe de suscitar a menor onda de simpatia. A sua "performance" na Comissão Europeia (dez anos!) foi por muita gente considerada dececionante (incluo-me nessas pessoas) e, já antes, a sua decisão de abandonar o governo para ir assumir essa função não foi compreendida (neste caso, faço parte de quantos consideraram ter sido uma opção correta e potencialmente interessante para o país). Soma-se agora o caso da Goldman Sachs, uma empresa marcada pela "má fama" durante a crise, mas onde, contudo, muitas pessoas com grandes responsabilidades europeias trabalharam, sem que isso tivesse provocado a reação que a entrada de Barroso agora suscitou.

Há qualquer coisa que transforma Durão Barroso num "case study".

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