Já não me recordo se escrevi por aqui uma frase ouvida, há uns meses, numa "tertúlia especializada" que frequento: "Não ouvi o que tu disseste, mas acho que não estás a dizer coisas certas".
Acho esteticamente graça (mas só isso, atenção!) a este tipo de expressões, feitas de preconceito e de apriorismo, que se pretendem chocantemente afirmativas, no limiar da presunção. Como o que passou a ser "chic" dizer-se, a propósito de livros: "Não li e não gostei". Olho este tipo de exercícios apenas pela curiosidade do seu estilo, pelo seu "non sense", mas não os respeito minimamente, convivendo com eles com uma medida dualidade no apreço.
Porque é que me lembrei hoje do assunto? Porque acabo de ver o título do próximo espetáculo de Vitorino, que vai na mesma onda: "Não sei de que é que se trata, mas não concordo". É uma frase citada do alentejano Zé Embirra, elevada a mote estimável, na lógica de que "o que é popular é bom".
A frase tem (a tal) graça, mas não deixa de ser uma patetice, sintetizando, no fundo, a atitude triste de muita gente perante o quotidiano.
