"Condenem-me, não me importo. A História me absolverá". Passaram 63 anos sobre esta frase célebre de Fidel de Castro, no tribunal em que regime de Fulgencio Baptista julgava a sua revolta.
Fidel morreu hoje. Não é possível deixar de ligar a imagem deste homem a um sonho bonito, a uma revolta romântica que adubou as esperanças de quantos, um pouco por todo o mundo, pensavam que estavam aí, quase ao virar da esquina, "os amanhãs que cantam".
Ele foi a bandeira de uma América Latina que pretendia deixar de ser o "quintal" dos Estados Unidos. Uma revolução de cores e emoções quentes, que o tempo foi desgastando. O "internacionalismo" do seu projeto - "um, dois, muitos Vietnams", dizia Guevara - não obteve um único sucesso, nos países onde procurou projetar-se.
Ao seu povo, Fidel trouxe, sucessivamente, entusiasmo, orgulho, esperança, alegria, saúde & educação, estagnação económica e social, desilusão, pobreza, revolta ou apatia e ausência de liberdade e de democracia - afinal, o objetivo da revolta da dignidade contra o sinistro ditador Fulgêncio Baptista, que Fidel protagonizou.
Agora, a muitos, a hora da morte de Fidel convocará com certeza saudade, sentimento com que, quase sempre, se absolvem os mortos que um dia foram amados. A História absolvê-lo-á também?
