Tenho o vício de me pesar de manhã e à noite. É um vício angustiante, porque me induz uma espécie de culpabilidade pelos efeitos daquilo que acabei por comer durante o dia. E como está fora de causa que vá acabar por limitar o meu regime alimentar, à luz de uma leitura quantitativa dos meus pecados da gula, só tenho uma solução: não me pesar. A minha relação com a medição do peso tornou-se assim cada vez mais frágil, numa assumida cobardia. Acho que me posso considerar, na verdade (por que haveria de escondê-lo?), um infiel da balança.