Ao tempo, deixei por aqui o apelo a que, com presteza e rigor, fosse feita a inculpação, sem tibieza nem falsos "respeitinhos", dos responsáveis pelas mortes em treino dos soldados dos Comandos.
Mas, em Portugal, é ou oito ou o oitenta.
No passado, casos como estes foram sempre abafados, com a culpa a morrer solteira. As famílias bem protestaram, mas toda a gente olhou para o lado. Agora, em face da projeção mediática, e num gesto de demagogia serôdia, foi decidida uma espetacular detenção, para interrogatório, de um grupo de militares de várias patentes, com os nomes escarrapachados na imprensa. E lá foram as "Sónias Cristinas" das televisões acompanhar as carrinhas até ao presídio.
Mas será que havia mesmo perigo de fuga, que justificasse a detenção dos militares, em lugar de serem simplesmente chamados a depor? Pelos vistos, não havia, caso contrário o juiz teriam determinado que ficassem em prisão preventiva.
Mais um triste teatro, num caso que haveria toda a vantagem em ser tratado com grande seriedade. Só espero que, com este inadequada e exagerada encenação, que suscitou legítimas reações de alguns setores militares, não se acabem por criar novas "vítimas", ajudando a esquecer que as verdadeiras foram as que morreram.
