Transcrevo, de seguida, o texto "Pacto para o investimento", que hoje publico na revista "Sábado", que me pediu, como a várias outras pessoas, uma "ideia" para o país:
"Já não é tempo de milagres. A vida dos portugueses só pode
melhorar se o país puder criar mais riqueza. Limitado o endividamento,
circunscritos os fundos comunitários, apenas uma injeção de investimento
produtivo pode funcionar. Para tal, há fatores que não dependem de nós, porque
derivam do quadro externo em que nos interessa manter integrados. Outros decorrem
da eventual coragem dos agentes políticos em levar à prática o interesse
coletivo, ousando afrontar os poderes das corporações, dos lóbis e da rua.
A capacidade de rutura da classe política portuguesa é
reconhecidamente escassa. O conúbio entre alguma representação institucional e
certos interesses, do parlamento às autarquias, apresenta aos potenciais
investidores um país que, não obstante fantásticos avanços, tem vastas zonas de
atraso comportamental.
É urgente gerar entre nós um pacto social para relançar o
investimento produtivo, desenhar-lhe rapidamente os contornos – na burocracia,
na justiça, na estabilidade fiscal, no apoio à qualificação, no combate à
corrupção e ao “arranjismo”. A sociedade civil, que teve coragem para pôr termo
ao tabu da dívida, tem de ser capaz de forçar um choque de realismo,
apresentando às forças partidárias uma agenda para a modernidade da sociedade e
da economia. Para além dos “suspeitos habituais”, há que envolver nela os
bancos, as universidades e a comunicação social. Quem tem coragem para avançar?"
