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segunda-feira, março 31, 2014

Coisas de casal

Tinhamos convidado o casal para jantar. Ele era bastante mais velho do que ela, mas ambos eram muitos divertidos. Tinham feito um simpático jantar quando chegámos àquele posto diplomático, que nos permitiu conhecer, numa só ocasião, uma imensidão de gente interessante. Tinham uma moradia deslumbrante e recordarei para sempre as dezenas de convidados à volta de uma piscina interior iluminada, com uma vista magnífica sobre a cidade. Eram gente desafogada na vida, ambos profissionais com carreiras estabilizadas, cada um vindo de anteriores casamentos.

Para o jantar de retribuição que organizámos convidámos alguns amigos que sabíamos comuns e outros que com eles eram compatíveis. Mas a ocasião era em honra desse casal. Por isso, não foi sem alguma insatisfação que, na antevéspera, recebemos a indicação de que ele viria sozinho ao jantar. Mas, como há muito aprendi, "o que não tem remédio remediado está".

À hora do jantar, o convidado de honra não aparecia. Não era o estilo habitual dele, homem rigoroso, educado e muito atento a pormenores. Chegou, finalmente, com mais de meia hora de atraso.

- Então, já sei que a sua mulher não pôde vir, lancei eu para início de conversa, quando o fui receber à porta.

- Pois é! Aliás, é precisamente por causa dela que chego atrasado, pelo que lhe peço desculpa.

E, antes que eu lhe dissesse que isso não tinha a menor importância, "deixou cair", em tom de nota lateral, secundária:

- É que me atrasei a assinar os papéis de divórcio, papeladas, você sabe como é...

Não sei, mas imagino. 

"Da Guerra e da Paz"