Seguidores

Se quiser ser informado sobre os novos textos publicados no blogue, coloque o seu email

quinta-feira, março 13, 2014

José Policarpo

Em 1978, um grupo de cidadãos de diferentes cores políticas e oriundas de setores muito variados decidiu tomar uma iniciativa com o objetivo de reforçar a visibilidade das Nações Unidas no seio da sociedade portuguesa.

Por razões políticas, Portugal apenas em 1955 foi admitido na organização, isto é, cerca de dez anos após a sua criação. Quase de imediato, a política colonial do governo de Lisboa conduziu o país a uma crescente confrontação com diversas instâncias da ONU, que levaria mesmo à sua marginalização em algumas das suas agências especializadas. Na minha juventude, as Nações Unidas eram apresentadas como um "inimigo", uma instância em que Portugal era sistematicamente "atacado" e na qual a nossa diplomacia desenvolvia uma tenaz defesa das posições "ultramarinas" portuguesas. Com uma imprensa censurada, a imagem da ONU que a ditadura expunha tinha um tom sempre negativo, com a ação no seu seio dos países do "terceiro mundo", que apoiavam os "terroristas" que atacavam as nossas "possessões", a ser diariamente diabolizada.

O 25 de abril mudou a perceção de Portugal no plano externo, mas a imagem das Nações Unidas, das suas virtualidades, do fantástico trabalho dos seus diferentes órgãos e agências, ficou ainda longe de ser reconhecido entre nós. Creio que em inícios de 1978, fui contactado para fazer parte do grupo fundador de uma estrutura tendente à promoção da ONU em Portugal. Recordo que tivemos várias reuniões no escritório das Nações Unidas em Lisboa, no edifício Imaviz, tendo eu próprio sido o autor dos estatutos da ACNUP (Associação de Cooperação com as Nações Unidas em Portugal). Tendo partido para o estrangeiro em 1979, desliguei-me entretanto da associação.

Pus-me agora a pensar em pessoas que tinham estado entre os fundadores da ACNUP. Nomes como António Costa Lobo, Carlos Eurico da Costa, João Palmeiro e Rui Machete ocorreram à minha memória. E lembrei-me também que, entre nós, havia uma figura religiosa, um padre que tinha então a seu cargo o setor da comunicação do Patriarcado. Chamava-se José Policarpo.

Outros tempos