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terça-feira, outubro 01, 2013

Silêncio de ouro

Os comentadores, na sua natural liberdade, podem, e até devem, falar da possibilidade de Portugal, caso venha a constatar-se que não consegue regressar ao mercado financeiro sem garantias externas, poder ter de vir negociar um novo programa de ajuda, no pior cenário em moldes idênticos ao atual, na melhor das hipóteses através de um "programa cautelar", apoiado apenas nas instituições europeias.

Aos mesmos comentadores assiste também o direito de refletirem em voz alta sobre se Portugal e os seus credores não deverão, em momento oportuno, encarar a possibilidade de recorrer a uma "reestruturação da dívida" (alguns, dados ao "economez" que agora é gíria, dão-se ao luxo de falar de "haircut"), elegante forma de se assumir que parte dela será necessariamente "perdoada" e não paga, atenta a implausibilidade manifesta de o país vir a registar taxas de crescimento capazes de corrigirem os atuais desvios.

De igual modo, nas tribunas de imprensa ou nas conversas de café, a questão do nível do défice das nossas contas públicas para 2014 pode ser objeto de comentários, às vezes informados, outras vezes meras "fezadas". Ou, retomando Augusto Gil: "Será 4%? Será 4,5%? 5% não é certamente, porque a "troika" não deixa assim..."

Os comentadores têm todo o direito de especular sobre tudo isto. Mas os políticos não. Só que, em Portugal, já não se percebe bem onde começam uns e acabam os outros. 

Numa situação internacional na qual a imagem de Portugal sofre hoje de uma clara fragilidade, em que os detentores - atuais ou potenciais - da nossa dívida olham "à lupa" qualquer dissonância por parte do nossos decisores políticos - também eles, atuais ou potenciais -, o óbvio recomendável seria que todos eles se calassem, sobre os temas que acima referi. Mas já se percebeu que isso não é possível e que a politiqueirice os impele a fazerem, de quando em vez, considerações "ligeiras" sobre estas questões, que sendo de uma extrema sensibilidade, nos custam a todos, e todos os dias, imenso dinheiro. Que não são eles que pagam, claro.

Na " Visão"

A coluna semanal de José Carlos de Vasconcelos é dos textos que raramente falho na leitura da "Visão". O Zé Carlos escreve um ...