sexta-feira, outubro 25, 2013

As aventuras da ironia

Há dias, falei por aqui da "humilhação" que supostamente atravessaria setores oficiais portugueses pelo facto de não terem sido reveladas escutas suas pelos serviços secretos americanos. O texto fazia jogos de palavras, que julguei facilmente compreensíveis, com ironias à mistura sobre o "guião para a reforma do Estado" (que já aí vem, o que pode significar que fui eu o "ouvido"...) e as supostas escutas na sede do PS.

Então não querem lá saber que, no Brasil, houve quem achasse que os portugueses se estavam a queixar, a sério, por não terem sido espionados?

No Natal do ano passado, fiz por aqui um "desagravo" ao patusco Artur Baptista da Silva, o "especialista" das Nações Unidas que enganou televisões e jornais.

O que sucedeu? Vários blogues acharam que eu tinha acreditado no homem, não obstante, pelo texto, eu ter espalhado notas que davam facilmente a entender que se tratava de uma brincadeira, ainda por cima surgida quando toda a tramóia estava bem clara.

A ironia e o humor são coisas complexas. Passam pela cultura, por pontos de cumplicidade, por códigos. Embora, nos dias que correm, o inverosimil esteja a acontecer, não quero voltar a ser confundido com os produtores de graças tristes. Vou passar a ter mais cuidado.

15 comentários:

  1. O Augusto Abelaira dizia que o humor era muito perigoso, e que fora uma leitura mais ingénua da "Modesta proposta para obstar a que os filhos dos pobres constituam um encargo para os pais ou o País e para os tornar úteis ao público" do Jonathan Swift que levara os comunistas a comer criancinhas ao pequeno-almoço. Bem andará quem evite esses caminhos perigosos em que se arrisca a ser mal interpretado.

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  2. É,a ironia, desperta perceções que provavelmente nem queria, nem sabia...
    Mas das aventuras da ironia extrai-se tanta reflexão e sabedoria, que seria uma lástima evitá-la em detrimento da fobia...

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  3. Rui C.Marques07:18

    Meu Caro Francisco,
    Não "admito" que passe a ter mais cuidado com a sua ironia e com o seu humor.
    Forte abraço.

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  4. é continuar, é um "risco" a passar, risco sem importancia, há pessoas sem o sentido do humor, sempre haverá, outras com ele, é continuar, se alguem leva a sério ou à letra pois qual o problema, fazem parte do universo de leitores etc

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  5. Tem todo o direito de assim proceder mas, assim ganham "eles"...

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  6. Anónimo09:07

    Ninguém vai concordar consigo! Os seus leitores ainda querem mais ironia se possível. Não tenho dúvidas! No que me toca, não me importo que me “torture” com ironia…
    antonio pa

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  7. Anónimo11:21

    Quanto mais humor e ironia, melhor. Ocorre-me transcrever um texto de "Casos do Beco das Sardinheiras" de Mário de Carvalho: "Calma aí, ó amigo. Eu só queria ajudar o meu semelhante, hã! Isto é preciso é não confundir género humano com Manuel Germano, ouviu? E pouca guita que o papagaio já vai alto!"
    É pelo humor e pela ironia que leio tudo deste autor. E o que se aprende...

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  8. Anónimo11:35

    A 'velha senhora' é tão radicalmente pró-ironia como é pró-Alvarinho:

    junto-me ao coro
    que até queria
    mais desaforo
    nessa ironia

    ter mais cuidado?
    fechar a veia
    triste coitado?
    que raio de ideia

    ter mais cuidado
    no humor, amor?
    mal humorado
    bem humorado
    use é furor

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  9. Anónimo12:44

    Se o humor desaparece deste blog deixo de o frequentar...... mas eu sou apenas um não politizado... por isso não devo contar nem para as estatísticas nem para os comentários.

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  10. Anónimo14:14

    Mas eu sempre pensei que o nosso Presidente era escutado! Então não foi?
    José Barros

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  11. Anónimo14:39

    A 'velha senhora' é tão radicalmente pró-Alvarinho, só porque não conhece, certamente, o “Vinha Grande” da Leda, feito também de Viozinho…
    antonio pa

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  12. Anónimo14:45

    Apesar das fobias (!?), deve ler o artigo de Joao Miguel Tavares "O macho alfa", no Público de 22/10/13.

    Uma delícia de ironia, sobre o que "não interessa":fobias...


    Alexandre


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  13. A sua ironia, très cher Ambassadeur, é -aí como aqui- a doze indispensável d'air frais necessária para digerir ce qu'on a du mal à avaler. Não nos prive!

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  14. Confesso que citei o aludido texto no tuíter, mas no mesmo contexto de ironia e humor com que foi escrito. Causa-me espanto que brasileiros estejam a leva-lo a sério, e isso porque aqui, a cada artigo escrito com serenidade sobre o 'voyeurismo obâmico', há outros dez fazendo troça do assunto. Talvez seja empáfia pelo fato do Brasil ter-se igualado às maiores potências mundiais em matéria de espionagem. Ainda que no polo passivo.

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  15. Não tenha, Sr. Embaixador não tenha, faça o favor de não ter.
    Nós agradecemos.

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