Há dias, falei por aqui da "humilhação" que supostamente atravessaria setores oficiais portugueses pelo facto de não terem sido reveladas escutas suas pelos serviços secretos americanos. O texto fazia jogos de palavras, que julguei facilmente compreensíveis, com ironias à mistura sobre o "guião para a reforma do Estado" (que já aí vem, o que pode significar que fui eu o "ouvido"...) e as supostas escutas na sede do PS.
Então não querem lá saber que, no Brasil, houve quem achasse que os portugueses se estavam a queixar, a sério, por não terem sido espionados?
No Natal do ano passado, fiz por aqui um "desagravo" ao patusco Artur Baptista da Silva, o "especialista" das Nações Unidas que enganou televisões e jornais.
O que sucedeu? Vários blogues acharam que eu tinha acreditado no homem, não obstante, pelo texto, eu ter espalhado notas que davam facilmente a entender que se tratava de uma brincadeira, ainda por cima surgida quando toda a tramóia estava bem clara.
A ironia e o humor são coisas complexas. Passam pela cultura, por pontos de cumplicidade, por códigos. Embora, nos dias que correm, o inverosimil esteja a acontecer, não quero voltar a ser confundido com os produtores de graças tristes. Vou passar a ter mais cuidado.