Há momentos tristes na vida de um país.
Um deles é ver, com a óbvia cumplicidade (senão mesmo a pedido) das autoridades nacionais, um grupo de credores institucionais externos expressarem, de forma ostensiva, uma pressão sobre um órgão de soberania como o Tribunal Constitucional português. Leia-se isto:
"No caso de algumas destas medidas virem a ser consideradas inconstitucionais, o Governo teria de reformular o projeto de orçamento a fim de cumprir a meta do défice acordada. Tal, contudo, implicaria riscos acrescidos no que se refere ao crescimento e ao emprego e reduziria as perspetivas de um regresso sustentado aos mercados financeiros."
Pergunto-me sobre a reação que, em outros países, um tipo de declaração desta natureza teria desencadeado.