Umas das técnicas publicitárias que mais me irrita é aquela que presume, em função daquilo que adquirimos, qual o tipo de produtos que, naturalmente, nos deve interessar. Nessa base, são-nos feitas propostas absurdas. Hoje, na "Amazon", na sequência de uma compra eletrónica que fiz, apareceu-me o inevitável "as pessoas que adquiriram isto também compraram isto", numa associação bizarríssima de interesses. Todos passamos por este tipo de táticas, nos dias que correm.
A este propósito, e ainda no terreno dos livros (que quase esgotam a minha atividade mercantil quotidiana), recordo sempre uma técnica, de idêntica natureza, de que era regularmente alvo numa cadeia de livrarias no Brasil (ia jurar que era a "Siciliano").
Eram lojas superpopuladas de funcionários, que nos seguiam desde a porta de entrada e acompanhavam as nossas deambulações pelas mesas. Ao final de uns minutos, quando pegava num livro, aproximava-se de mim um empregado com um outro livro na mão e perguntava: "Não lhe interessa este livro?". A primeira vez que isso me sucedeu fiquei siderado, sem saber por que diabo o homem me estava a chamar a atenção para uma outra obra: "Porque é que pergunta isso? Por que razão podia eu estar interessado em ler esse livro?". A resposta foi simples: "Porque, se está a consultar um livro dessa mesa, é porque se interessa por esses temas e este livro, acabado de sair, é desse mesmo tema...".
Fiquei sempre com a sensação de que esses funcionários, normalmente muito jovens, não faziam a mais leve ideia do conteúdo do livro que estavam a propor, mas que apenas se dedicavam a pôr em prática uma técnica de "marketing" que lhes tinham imposto. E, devo dizer, só a inexcedível simpatia dos empregados das lojas no Brasil evitou, a partir daí, que eu manifestasse a minha permanente irritação com este método promocional.
No final de contas, a "Amazon" terá aprendido a técnica no Brasil. Não é de admirar: a Amazónia é por lá...
