quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Juncker e o cabo da Roca


O último dirigente europeu que pode ser acusado de não ser amigo de Portugal chama-se Jean-Claude Juncker. Sabe-o quem trabalhou ou trabalha nas coisas europeias sérias, daquelas que estão bastante para além da retórica ou dos "soundbites". 

Puni-lo pelos exemplos geográficos que deu num discurso, numa lógica tão válida como qualquer outra, é sintoma de estranha insegurança, num país que tem História suficiente e uma presença internacional que já não precisa dessas coisas. Ou então revela a tentativa de "armar" ao nacionalismo ferido, o que é quase tão inferior como o primeiro sentimento.

Se querem continuar nos "soundbites", então eu aconselharia uma campanha no sentido de mudar a expressão de De Gaulle "uma Europa do Atlântico aos Urais", consagrando a mais patriótica "uma Europa de Cascais aos Urais"...

3 comentários:

Anónimo disse...

De Sintra aos Urais, já que o Cabo da Roca pertence ao município de Sintra.

Joaquim de Freitas disse...

O « Cher Jean Claude » há muito que sonha duma dissolução da União Europeia, pela razão muito simples que os seus povos não marcham ao passo, como desejaria.

A dissolução dos povos significaria a dissolução da democracia, ou a redução da democracia a um simples” estado de direito”. Seria a legalidade e mais nada. As tiranias apoiam-se precisamente na única legalidade em detrimento da legitimidade.

Impressiona-me que seja o mesmo politico que disse um dia, “Não pode haver escolha democrática contra os tratados europeus” ; Bigre…

E que agora nos diga que “ As fronteiras, são a pior invenção da história”, vai ainda mais longe…

Se já temos dificuldade a pedir contas aos dirigentes dum Estado, cujas fronteiras estão definidas, como vamos poder pedi-las a dirigentes dum Estado no qual as responsabilidades estão diluídas num espaço imenso?

Anónimo disse...

O Presidente da COM falou de uma Europa da Espanha à Bulgária, depois de dizer que ela se estende de Vigo a Varna. Houve críticas imediatamente. Não vejo porquê.

No primeiro caso, certamente se terá escolhido ESP para fazer um contraponto entre um país onde a vocação europeia nunca foi contestada, que está na UE desde que o projeto alcançou os 12 países ( e já vamos em 28, eventualmente 27 dentro de dois anos ), um país que é percecionado pela opinião pública como um dos maiores da UE, que faz parte de Euro e de Schengen.
No segundo caso, escolheu-se a BG para falar de um país europeu mais pequeno, menos desenvolvido e que aderiu à UE mais recentemente, não fazendo ainda parte nem do Euro, nem de Schengen.
A situação geográfica de ambos favorecia o contraponto entre o extremo ocidental e oriental do espaço geográfico que abarca a UE.

A escolha de cidades desses países visou também o contraponto entre extremos geográficos: Vigo, em Espanha, banhada pelo oceano Atlântico e Varna, na Bulgária, banhada pelo mar Negro. Ah! ambas começam por V. Soa bem " de Vigo a Varna".

Não é também de excluir que o facto de uma espanhola ser Chefe de Gabinete adjunto do Presidente da COM possa ter contribuído para a escolha de Espanha. Afinal, estes discursos têm contribuições de vária ordem até ao desenho final do texto, são trabalhados por muita gente antes de serem proferidos.
Mas não vale a pena retirar lições políticas de uma escolha destas, porque quem conhece a técnica de elaborar discursos sabe que muitas vezes se diz o que "soa bem" em detrimento do que seria "bem" dizer.
Curiosamente, nem creio que tenha sido o caso.