quinta-feira, 28 de março de 2013

Eurovisão

Eram noites assim. Apressávamos o jantar, sentávamo-nos confortavelmente e preparávamo-nos para o espetáculo televisivo. Olhávamos o cenário e ouviamos com atenção a figura cuja "performance" aguardávamos, com bastante curiosidade sobre como ela iria sair-se da prova. Eram as noites do festival da Eurovisão, no Portugal desse tempo.

Entre essas noites e a de ontem, houve, contudo, uma sensível diferença. À época, logo de seguida, tinha lugar uma contagem de votos. Desta vez, ao que parece, isso ainda vai demorar algum tempo.

Em tempo: detesto a palavra narrativa.

27 comentários:

E.Dias disse...

Concordemos que esta estará mais para a marrativa...

Anónimo disse...

O Festival da Eurovisão faz parte do imaginário de algumas gerações e do tempo em que as famílias faziam de certos programas um ritual.

A verdade é que lembro-me de algumas músicas que venceram o FE quando, ainda, era muito pequena.

Isabel BP

Anónimo disse...

Mas ontem à noite quem ganhou?

a) Feliciano da Mata, espectador da RTP Internacional

Catinga disse...

Por quinze mil euros por mês, exigia-se maior imaginação nos termos, realmente...

Anónimo disse...

Tudo tem o seu tempo...
Não está sozinho quanto aos amores pelo sentido novo, que vão tomando certos "signos linguísticos". Narrativa para si é aquela dos manuais do Professor António José Saraiva/Óscar Lopes. Bem sabemos. Fui eu que a pus entre "" com a intenção de a ressalvar para o seu primeiro sentido!

Rui Franco disse...

Foram 32 "narrativas" (mais duas por parte dos jornalistas).

O repetitivo "Senhor Presidente da República" também foi um bocado irritante.

ARD disse...

"Narrativa", naquela acepção, é, de facto, um modismo irritante.
Quanto à noite televisiva de ontem, o personagem principal esteve em grande forma, apesar da hostilidade (aliás canhestra e ineficaz) dos perguntadores de serviço.
Nem etéreo ser angélico como tende a auto-retratar-se nem belzebú sulfuroso como o caricaturam os medíocres que achaparraram o Poder aqui no rectângulo, a sua simples presença e discurso são letais para estes últimos, criaturas bisonhas, alapardadas, usuários de um português aproximativo e primário.
Que contraste!

Anónimo disse...

Lá vem a pequena calúnia dos 15 mil euros...
O próprio director de informação da RTP desmentiu ontem, em directo, essa atoarda.
Mas JS deve estar bem habituado a ser caluniado.

Anónimo disse...

Ontem a música soou-me à "déjà vu" (“sinestesiada” involuntária).

A voz de sereia, a canção “a tourada” e o touro era eu.

De tudo, uma mensagem ao falaz intérprete: “ao soares tu só saí ruído”.

N371111

Anónimo disse...

É verdade que um debate é mais rico quando há "contraditores" e José Sócratas, ontem, só tinha dois jornalistas para isso. É verdade também que em alguns países onde o debate foi recebido pela Mundovisão que é a RTPI não há esta prática de contraditores jornalistas com tão clara frontalidade e isto, se os países votassem, poderia levar uma contagem de pontos negativos para a profissão. Quanto a Sócratas dou-lhe quatro pontos positivos:
1) o governo escava, escava, escava... (de certo até escava a sua própria cova);
2) a explicação sobre a dívida externa;
3) a sua luta quase solitária para evitar recorrer a mais empréstimos estrangeiros e evitar esta humilhação da Troïka;
4) a sua apreciação sobre a parcialidade do Presidente da Republica ( que não a de Cavaco Silva).
E atribuo- lhe um ponto negativo. Não gostei de o ouvir confessar aos portugueses que para vir estudar para Paris precisou de fazer um empréstimo ao seu banco. Porque isto pode mesmo parecer indigno para um País como o nosso que abandona assim um ex-Primeiro Ministro na penúria. Não, não gostei nada disso... E porque até eu, pobre emigrante, pessoalmente, consegui estudar aqui em Paris numa Universidade, e até mais de dois anos, sem precisar de recorrer ao banco para tal... Há coisas que não fica bem confessar em público. Não fica não senhor. Por isto este ponto negativo.
José Barros

Anónimo disse...

Será que estamos em situação de abrir mais uma frente de guerra pública perante os nossos credores?
Se sim... vale tudo, até reescrever a estória recente. Se não...... Esperemos que o método justifique os fins.

Catinga disse...

A "calúnia" dos 15.000 é necessária à piada (com ou sem graça).

Quem também está habituado a ser caluniado são os jornalistas, nomeadamente quando, por fazerem o seu trabalho, são acusados, em direto, de estarem a fazer favores ao Governo.

E o PR, acusado de nunca se pronunciar contra este Governo quando já o fez várias vezes.

Estão todos bem uns para os outros e mal para todos nós...

patricio branco disse...

uma noite limpa, não ouvi socrates nem outros comentadores.
em vez disso vi um bom filme e li ainda 1,30 h antes de apagar a luz

Anónimo disse...

Um dos "peôes" que nos levou à bancarrota !

Novo provébio português:

"Peão" que "monta" Nação tem programa de televisão ! (pública)

Palavras para quê...atenção que "eles" andam outra vez aì...!

Alexandre



Anónimo disse...

Confesso que já não há paciência para ouvir este senhor, nem outros!

Alcipe disse...

Sobre a transformação do discurso político em "narrativa",recomendo a leitura de "Storytelling" de Christian Salmon, que descreve a génese do processo.

Anónimo disse...

O sr José Barros deve ter estado ausente de Portugal desde 2005!

Alexandre

Anónimo disse...

O fato era de fino corte e impecável, devia ser do "Rosa & Teixeira !


Alexandre

Defreitas disse...

Que podia fazer José Socrates, mesmo sem alguns erros de navegação cometidos - projetos inoportunos , despesas evitáveis e outros - quando a tempestade se levantou e o obrigou a amainar as velas antes que estas se esfarrapem? Que fez Zapatero? Que fez agora Hollande? Que fez agora Cameron?
Todos , exceto Cameron, foram eleitos numa vaga socialista, porque esta respondia aos anseios dos povos, perante a falência da direita, que porta nela o social liberalismo : a validação da finança, da bolsa, dos "traders" e outros predadores largados num sistema internacional feroz e anti-social. Helas, todos deslizaram mais os menos suavemente para uma gestão liberal socialista que não tem nada a ver com o socialismo, derrubado este pela vaga destruidora do liberalismo financeiro e monetário.
Foram estas crises do sistema capitalista que, em vez de serem combatidas energicamente pela esquerda "responsável", são , hoje,acompanhadas e mesmo justificadas por ela, "malgré elle!

O regresso da direita ao poder , trazida no inexorável movimento pendular dos povos quando os seus problemas não são resolvidos, em vez de trazer o remédio esperado agravou a situação.
Socrates não podia escapar ao destino .E o seu sucessor também não. Num pais onde outros políticos decapitaram as suas indústrias, agricultura, pesca, etc., quando a crise internacional lhe bate à porta, as armas que lhe restam são ínfimas. E quando a globalização lhe vem roubar as poucas industrias que lhe restam, levadas para os países de escravatura, pelos investidores gananciosos, só a solidariedade européia prometida pode aliviar a situação.

A solidariedade é limitada e gananciosa. Socrates fracassou, como vemos hoje Hollande fracassar , porque a Europa dos povos, solidária, derrocou. O povos vão designar um bode expiatório .Serà a Europa. A finança internacional passarà em silêncio.

O nosso problema, vê-se bem: A Europa de Sarkozy e agora de Hollande, Berlusconi, e até há pouco de Monti, de Merkel, Cameron e Barroso, atolaram-se nos meandros obscuros da quimera do rigor, (cavam, cavam, cavam ! ) com conseqüências graves de extremas direitas que galopam para escores eleitorais terrificantes. Eles nao vêm o perigo.

Talvez em Portugal o perigo não seja esse, mas a particularidade do fascismo é de se apresentar como uma alternativa ao antisocial , uma alternativa à ferocidade dum capitalismo internacional. Assim, o nacional socialismo prometia aos Alemães um regime social que protegeria da ferocidade dum capitalismo internacional.

Esta quimera do rigor e dos grandes equilibrios orçamentais, ditado pelos interesses dos especuladores que querem fazer-se uma boa saúde sobre o cadáver da besta e dos povos.

J. de Freitas

Anónimo disse...

Quais Lendas, quais Narrativas,qual Alexandre Herculano, qual Vale de Lobos, qual azeite, qual vinho!A patetice instituída. Um dicionário básico de língua portuguesa, dir-lhes-á o que isso é, para não especificar outro tipo de dicionários. Não é um bicho de sete cabeças: pão, pão,queijo Zeca!O Dr. Sócrates usou e abusou do termo, embora bem empregue (já estou a ver os comentadores a afiar a língua.A iliteracia prática já chegou às camadas que, a avaliar pelos lugares - altos - que ocupam, revelam o que de facto são, Biblicamente, diria: "Pai, perdoa-lhes porque não sabem o que dizem, mas sabem muito bem o que fazem." É um espectáculo confrangedor o dos comentadores, sempre os mesmos, que opinam sobre trufas e morangos silvestres. Não há quem substitua as eternas múmias comentaristas? Estamos num país de comentadores encartados... e não só. Isto já cheira demasiado mal.E quem se lixa é o mexilhão,porque a lagostagem vive à grande e à francesa, sem saber ler nem escrever. Isto vai dar para o torto.

Carlos Fonseca disse...

O autor do blogue detesta a palavra "narrativa".

Eu gosto muito, desde o tempo em que li as "Lendas e Narrativas".

E ontem, no "Festival", voltei a gostar da narrativa, embora sem lenda. Ou será que estava lá, mas ainda não se percebeu?

E aquelas "canções" dedicadas ao inquilino de Belém, obrigaram-me a dar-lhe a pontuação máxima. Embora não esteja bem certo se terá tido pela letra e pela música, ou pela azia que tenho pela sinistra figura (há quem lhe chame sonso, coisa que não é; só quer parecer).

P.S. - Claro que não podia faltar um comentador contagiado com o vírus "matinal". Ou da manhã, como também é conhecido.

Anónimo disse...

Este país é inenarrável!
Quem ganhou ontem? Só tenho a absoluta certeza de quem continua e continuará a perder!

Anónimo disse...

Excelente a visão de João de Barros.
Eu acrescento.Não votei nele mas,na proxima,vou votar.

Anónimo disse...

Post sempre muito redondinhos (quando toca à Política), sem querer dizer o que gostaria de dizer, à espera que os outros o digam, como comentadores. Post, quando se abordam questões deste tipo, sempre muito cautelosos, sem chama, sem coragem. Digno de um diplomata, mesmo aposentado. Um Blogue muito redondinho e cinzentinho. Com umas pinceladas sobre as experiências vividas na tal política externa. Mas, abordar coisas mais quentinhas, arre Diabo! “Longe, longe da confusão, que o façam os meus leitores”. No fundo, um estilo oposto ao de Sócrates, goste-se ou não dele, corajoso e frontal, sem papas na língua. Uma Páscoa muito redondinha e pacatinha, a condizer. Com pão-de-ló.
NY

Anónimo disse...

Ó Catinga
O seu nome diz a bota com a perdigota? O problema será de vista ou de ouvido?

Isabel Seixas disse...

Já se torna dificil acreditar na inocência,mas quando a sedução do cair em graça perdeu a piada nem o imaginário feminino tendente a valorizar o charme já ajuda e é pena, mesmo mesmo pena...

E é aqui que fico ambivalente é a vida, é a politica, alterações hormonais e andropausa ou efetivamente o Festival da "Euro" "Visão"?...

A perda da inocência sedutora,
diabolizada pelo endeusamento inflacionado,torna a imagem
redutora quando expira

EGR disse...

Senhor Embaixador: parece-me que uma certa contagem, já começou.
Também detesto a palavra narrativa.