Das duas uma: ou se aceita o sistema bancário global tal qual ele é, isto é, incorporando a dimensão de confiança que está na sua base ou, ao pô-lo em causa, está-se disposto a arriscar o delicado equilíbrio do sistema do euro.
A incomensurável irresponsabilidade política que marcou a decisão do "eurogrupo" - leia-se, o conselho de ministros das Finanças da zona euro - sobre Chipre, é uma lição que nos obriga a refletir sobre a suposta qualidade técnica das "vedetas" que hoje gerem a vida financeira europeia.
Que saudades da presidência de Jean-Claude Juncker, sob a qual o "eurogrupo" esteve sempre longe de tomar decisões tão irracionais! E que insulto tudo isto é para o excelente trabalho que Mário Draghi (e Vitor Constâncio, por muito que alguns por cá não gostem dele) tem vindo a fazer no Banco Central Europeu.
O que se passou no caso cipriota* prova que a Europa está à deriva e que a política deixou de estar no comando das operações.
* o anunciado recuo parcial nas medidas fiscais também é revelador do estado a que as coisas chegaram.
* o anunciado recuo parcial nas medidas fiscais também é revelador do estado a que as coisas chegaram.